IMN, 60 anos, sexo masculino, procura o consultório com história de ter apresentado quadro dor epigástrica associada a náuseas e vômitos após uso de Nimesulida. Trazia endoscopia digestiva alta com uma úlcera duodenal A1 de Sakita e teste de urease positivo para Helicobacter pylori. Em relação ao caso, avalie as afirmativas a seguir. I. Não há necessidade de tratar o Helicobacter pylori pois a Nimesulida é a responsável pelo quadro clínico e endoscópico. II. A principal causa da úlcera duodenal é o uso de antiinflamatório não esteroide (AINES). III. A erradicação do Helicobacter pylori é imperativa e o esquema antibiótico de primeira linha inclui a Amoxicilina e a Levofloxaxina associadas a um inibidor de bomba de prótons. IV. A erradicação do Helicobacter pylori é imperativa e o esquema antibiótico de primeira linha inclui a Amoxicilina e a Claritromicina associadas a um inibidor de bomba de prótons. Está correto o que se afirma em
- A)I e II, apenas.
Errada, porque a presença de H. pylori positivo exige erradicação, e o AINE não exclui essa necessidade.
- B)III, apenas.
Errada, porque a combinação amoxicilina + levofloxacina + IBP não é o esquema clássico de primeira linha.
- C)II e III, apenas.
Errada, porque a principal causa de úlcera duodenal é H. pylori, não o uso de AINE.
- D)IV, apenas.
Certa, porque a erradicação do H. pylori é obrigatória e o esquema clássico inclui amoxicilina, claritromicina e IBP.
- E)III e IV, apenas.
Errada, porque embora a erradicação seja imperativa, a alternativa mistura um esquema de primeira linha com outro que não é o padrão cobrado como inicial.
Gabarito: D
Neste caso, o ponto-chave é que o paciente tem dois fatores importantes ao mesmo tempo: uso de AINE e teste de urease positivo para Helicobacter pylori. Quando há infecção por H. pylori em paciente com úlcera duodenal, a erradicação é obrigatória, mesmo que tenha havido uso de anti-inflamatório. Um fator não “apaga” o outro, porque os dois podem colaborar para a lesão da mucosa. A úlcera duodenal tem como causa mais frequente a infecção por H. pylori, seguida pelo uso de AINEs. Então a afirmativa que coloca o AINE como principal causa está errada. É uma pegadinha clássica: o remédio foi o gatilho da dor, mas a etiologia mais cobrada da úlcera duodenal continua sendo o H. pylori. Quanto ao tratamento, a erradicação deve ser feita com esquema antibiótico associado a inibidor de bomba de prótons. O esquema clássico de primeira linha, cobrado em provas, é amoxicilina + claritromicina + IBP, geralmente por 14 dias, conforme as recomendações tradicionais para terapia tripla em cenários sem alta resistência. Levofloxacina costuma aparecer mais em схемas de resgate, não como primeira escolha no modelo clássico de prova. Por isso, a alternativa correta é a que afirma que a erradicação é imperativa e traz amoxicilina e claritromicina associadas a um IBP. A presença de úlcera duodenal e teste positivo já fecha o raciocínio: tratar o H. pylori não é opcional, é parte central do manejo.