Paciente de 30 anos, sexo masculino, possui prática sexual desprotegida, solicita exames para início de uso de profilaxia préexposição (PrEP) para HIV. Fez exames de rotina sendo detectado VDRL 1/64 e anti-HIV negativo. Desconhece quando pode ter sido infectado por sífilis. Sendo assim, seu tratamento deverá ser com
- A)penicilina G benzatina 2,4 milhões de U IM, em dose única.
Errada, porque dose única é usada na sífilis recente, não quando a duração da infecção é desconhecida.
- B)penicilina G benzatina 2,4 milhões de U IM, 1 vez por semana por 3 semanas.
Certa, pois sífilis latente tardia ou de tempo ignorado deve ser tratada com penicilina benzatina 2,4 milhões de UI IM semanal por 3 semanas.
- C)penicilina G benzatina 4,8 milhões de U IM, em dose única.
Errada, porque não se dobra a dose em uma única aplicação; o correto é fracionar em 3 aplicações semanais.
- D)penicilina G benzatina 3 a 4 milhões de U IV 4/4h, por 14 dias.
Errada, pois esse é esquema de neurossífilis com penicilina cristalina endovenosa, não de sífilis latente.
- E)penicilina G benzatina 18 a 24 milhões de U IV contínua, por 14 dias.
Errada, porque essa também é dose usada em neurossífilis com penicilina cristalina IV contínua, não penicilina benzatina.
Gabarito: B
A sífilis é uma daquelas infecções que adoram se esconder, e por isso o tratamento depende muito do tempo de evolução. Quando o paciente tem VDRL reagente e não sabe há quanto tempo foi infectado, você não pode presumir sífilis recente. Na prática, isso faz o caso ser tratado como sífilis latente tardia ou de duração ignorada, que exige esquema mais longo para garantir erradicação adequada do Treponema pallidum. Nesse cenário, o tratamento padrão é penicilina G benzatina 2,4 milhões de unidades IM, 1 vez por semana, por 3 semanas, totalizando 7,2 milhões de unidades. Essa conduta é a clássica para sífilis latente tardia ou de tempo desconhecido, justamente porque a carga bacteriana e a chance de persistência são maiores quando a infecção não tem data definida. Se fosse sífilis primária, secundária ou latente recente, o esquema seria dose única. Mas aqui o detalhe importante do enunciado é a incerteza sobre o momento da infecção, então a banca quer que você pense em duração ignorada, não em sífilis recente. Em prova, esse é o tipo de pegadinha que parece simples, mas troca dose única por tratamento de 3 semanas. Vale lembrar: antes de iniciar PrEP, é fundamental investigar ISTs e excluir infecção por HIV com atenção, porque sífilis e HIV podem caminhar juntos. E como o anti-HIV veio negativo, o manejo da sífilis segue normalmente, sem mudar o esquema antibiótico indicado para o estágio presumido.