Ao longo da última década, a varfarina foi gradativamente substituída pelos anticoagulantes diretos no manejo de diversas doenças que requerem anticoagulação sistêmica por via oral. Na seguinte situação os anticoagulantes diretos ainda estão contraindicados e a varfarina permanece como o anticoagulante oral de escolha para a prevenção e/ou tratamento de eventos tromboembólicos:
- A)fibrilação atrial permanente sem doença valvar associada.
Errada, porque fibrilação atrial permanente sem doença valvar associada é uma indicação clássica de anticoagulante direto.
- B)tratamento da embolia pulmonar.
Errada, porque no tratamento da embolia pulmonar os anticoagulantes diretos são amplamente utilizados e aceitos.
- C)tratamento da trombose venosa profunda.
Errada, porque a trombose venosa profunda é uma das principais indicações dos anticoagulantes diretos.
- D)prevenção de tromboembolismo venoso pós-artroplastia total do joelho ou quadril.
Errada, porque a profilaxia de tromboembolismo venoso após artroplastia de joelho ou quadril pode ser feita com anticoagulantes diretos.
- E)portadores de próteses valvares metálicas.
Certa, porque em próteses valvares mecânicas os anticoagulantes diretos são contraindicados e a varfarina segue como escolha.
Gabarito: E
A varfarina foi perdendo espaço em muitas situações porque os anticoagulantes diretos, como dabigatrana, rivaroxabana, apixabana e edoxabana, simplificaram o tratamento: dose fixa, menos interação e sem aquele sofrimento de ficar ajustando INR toda hora. Isso funciona muito bem em fibrilação atrial não valvar, trombose venosa profunda, embolia pulmonar e até em algumas profilaxias de tromboembolismo venoso. Mas existe um grupo em que a história muda de figura: as próteses valvares mecânicas. Nelas, os anticoagulantes diretos ainda são contraindicados, porque não demonstraram segurança e eficácia adequadas para evitar trombose da prótese e eventos embólicos. O estudo RE-ALIGN, com dabigatrana em valva mecânica, mostrou mais trombose e sangramento, e isso consolidou a preferência pela varfarina nesses casos. Na prática, a regra é simples: válvula mecânica, pensa em varfarina. Já nas situações de anticoagulação oral sem valvopatia mecânica, os anticoagulantes diretos costumam ser a primeira escolha. As diretrizes de cardiologia e de doença tromboembólica seguem essa linha de forma bastante consistente. Portanto, o gabarito está correto porque, entre as alternativas, apenas portadores de próteses valvares metálicas permanecem fora do grupo em que os anticoagulantes diretos podem substituir a varfarina com segurança.