Em relação ao controle da tuberculose no Brasil, é correto afirmar que
- A)a prova tuberculínica positiva confirma o diagnóstico de tuberculose ativa no adulto.
Errada, porque a prova tuberculínica positiva indica infecção prévia ou resposta imunológica, mas não confirma tuberculose ativa no adulto.
- B)todo paciente com diagnóstico de tuberculose deve ser testado para infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).
Certa, pois todo paciente diagnosticado com tuberculose deve ser testado para HIV, dada a frequência e a relevância clínica da coinfecção.
- C)a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis confere imunidade permanente.
Errada, porque a infecção por Mycobacterium tuberculosis não confere imunidade permanente e a doença pode ocorrer por reativação ou reinfecção.
- D)a técnica mais utilizada em nosso meio para o diagnóstico da tuberculose é o teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB).
Errada, porque o TRM-TB é importante, mas não pode ser afirmado como a técnica mais utilizada em nosso meio de forma genérica e absoluta.
- E)para fins de busca ativa para detecção de casos de tuberculose, considera-se sintomático respiratório um indivíduo que apresente tosse por pelo menos uma semana.
Errada, porque para busca ativa o sintomático respiratório é classificado, em regra, como pessoa com tosse por 3 semanas ou mais, e não por 1 semana.
Gabarito: B
No controle da tuberculose no Brasil, a lógica é sempre pensar em diagnóstico, vigilância e interrupção da transmissão. A tuberculose ainda é um problema importante de saúde pública, por isso o sistema recomenda busca ativa de casos, investigação de contatos e testagem de comorbidades que mudam prognóstico, especialmente o HIV. Isso faz parte das diretrizes do Ministério da Saúde e do Programa Nacional de Controle da Tuberculose. O ponto central da questão é simples: todo paciente com tuberculose deve ser testado para HIV, porque a coinfecção é frequente, aumenta o risco de adoecimento, de formas graves e de pior desfecho, além de alterar a conduta clínica. Em prova, sempre que aparecer tuberculose, pense em sorologia para HIV como rotina de investigação, não como opcional de luxo. As outras alternativas misturam conceitos. Prova tuberculínica positiva não confirma tuberculose ativa, porque ela mostra contato/infeção prévia e pode vir positiva na infecção latente ou após BCG. A infecção por Mycobacterium tuberculosis não gera imunidade permanente, então reinfecção e reativação podem acontecer. E o sintomático respiratório para busca ativa, em geral, é a pessoa com tosse por 3 semanas ou mais, não por apenas 1 semana. Sobre o teste rápido molecular para tuberculose, ele é muito importante e amplamente recomendado, mas isso não significa que seja a técnica mais usada em todo o país para diagnóstico inicial em qualquer contexto. Em prova da FGV, fique atento a esses exageros de linguagem: ela gosta de trocar o conceito correto por uma generalização apressada.