Uma amostra de swab de nasofaringe foi submetida a um RT-PCR para pesquisa de SARS-Cov-2, o agente etiológico da Covid-19. A reação resultou inválida. Sobre a interpretação de um resultado inválido em um teste de PCR, analise as afirmativas a seguir. I. A presença de inibidores na amostra pode ter bloqueado a reação de amplificação, tanto para o controle interno da reação como para o alvo pesquisado. II. A concentração de RNA está em uma faixa limítrofe ou zona cinzenta, não permitindo diferenciar com acurácia o negativo e o positivo. III. Provavelmente decorre de uma infecção recente, onde a presença de baixos níveis de ácidos nucléicos não permite excluir a ausência de infecção. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Correta, porque a presença de inibidores pode impedir a amplificação e tornar o teste inválido.
- B)II, apenas.
Errada, porque faixa limítrofe ou zona cinzenta sugere resultado inconclusivo, não necessariamente inválido.
- C)I e II, apenas.
Errada, porque os itens II e III descrevem baixa detecção ou dúvida diagnóstica, mas não a causa típica de invalidez do PCR.
- D)I e III, apenas.
Errada, porque o item III fala de baixa carga viral/infeção recente, o que não define resultado inválido.
- E)I, II e III.
Errada, porque apenas a afirmativa I está correta.
Gabarito: A
No RT-PCR, um resultado inválido não significa nem positivo nem negativo: significa que o teste não conseguiu ser interpretado com segurança. A causa clássica é falha no controle interno da reação, geralmente por presença de inibidores na amostra, como sangue, muco ou substâncias que atrapalham a amplificação. Nessa situação, o alvo pesquisado pode não amplificar e o sistema também não consegue confirmar se a reação funcionou direito. Por isso, a amostra costuma exigir nova coleta ou repetição do exame. A afirmativa I está correta porque descreve exatamente esse cenário: os inibidores podem bloquear a amplificação tanto do controle interno quanto do alvo. Já as afirmativas II e III falam de outra lógica. Faixa limítrofe, zona cinzenta e baixa carga viral podem gerar resultado inconclusivo ou próximo do limite de detecção, mas isso não é a definição de resultado inválido. O mesmo vale para infecção recente com pouca quantidade de ácido nucleico: isso pode dificultar a detecção, mas não explica, por si só, um laudo inválido. Em outras palavras, inválido em PCR costuma apontar problema técnico da reação, não necessariamente baixa carga viral do paciente. Em prova, pense assim: se o laboratório não consegue confiar no controle da corrida, o resultado não serve para concluir nada. É uma falha do teste, não uma pista diagnóstica do paciente.