No ano de 2018, o vírus do sarampo foi reintroduzido no Brasil, estando restabelecida a circulação endêmica desde então. Em relação aos aspectos clínicos o sarampo caracteriza-se por
- A)febre alta, insuficiência renal, icterícia, hepatomegalia ou esplenomegalia. História de exposição em áreas de transmissão.
Errada: febre alta com icterícia, hepatosplenomegalia e insuficiência renal lembra mais arboviroses graves ou febres hemorrágicas, não sarampo.
- B)febre, tosse, dor de garganta, coriza, conjuntivite e linfadenite. Manchas de Koplik precedem o exantema generalizado.
Certa: descreve o pródromo típico do sarampo com febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik antes do exantema.
- C)artrite aguda e simétrica, mais frequentemente nas pequenas articulações das mãos e dos pés, nos pulsos e nos joelhos. Frequentemente observa-se exantema.
Errada: artrite aguda e simétrica com exantema é padrão mais compatível com rubéola ou outras viroses, não com sarampo.
- D)febre baixa e coriza. Presença de exantema inicialmente na face, antes de se disseminar para o tronco. Pode haver artrite e linfadenopatia.
Errada: início com exantema na face e possível artrite/linfadenopatia aponta mais para rubéola, que é diferente do sarampo.
- E)febre, cefaleia, mialgia e exantema maculopapular, centrípeto e não pruriginoso. Como complicações, são descritas sufusões hemorrágicas.
Errada: febre, mialgia e exantema centrípeto com sufusões hemorrágicas sugerem doença exantemática mais grave, como dengue ou febres hemorrágicas, não sarampo.
Gabarito: B
O sarampo é uma virose exantemática clássica, muito cobrada em prova porque tem um “roteiro” clínico bem típico: febre alta, mal-estar importante, tosse, coriza e conjuntivite. Depois desse pródromo, surgem as manchas de Koplik na mucosa oral, que são pequenas lesões esbranquiçadas e costumam aparecer antes do exantema. Em seguida, vem o exantema maculopapular, que se inicia na face e depois se dissemina para o tronco e membros. É justamente isso que faz a alternativa B ser correta: ela reúne a tríade respiratória clássica do sarampo, acrescenta conjuntivite e lembra as manchas de Koplik, que são praticamente a “assinatura” da doença antes da erupção cutânea. Em prova, quando aparece febre + tosse + coriza + conjuntivite + Koplik, você pode desconfiar de sarampo sem muito drama. As outras alternativas misturam características de doenças diferentes. FGV adora esse tipo de combinação de sinais: pega um pedacinho de uma doença, outro de outra, e tenta ver se você cai na mistura. Então vale fixar o padrão do sarampo: pródromo respiratório, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema que começa na face. Do ponto de vista doutrinário, isso está alinhado com a descrição clínica clássica usada em infectologia e nas vigilâncias epidemiológicas do Ministério da Saúde, que reconhecem o sarampo por esse conjunto de pródromo catarral, enantema de Koplik e exantema maculopapular.