Indivíduo masculino de 32 anos assintomático realiza exame de aptidão física para a prática desportiva. O médico realiza um ECG cujo traçado parece sugerir doença de Chagas. A confirmação do diagnóstico nessa fase de evolução da enfermidade:
- A)é determinada pela presença de anticorpos IgM contra o T. cruzi no sangue;
Errada, porque IgM é marcador de infecção recente e não é o padrão para confirmar doença de Chagas na fase crônica.
- B)pode ser determinada pelo achado de formas amastigotas na aspiração linfonodal;
Errada, porque a aspiração linfonodal não é método de confirmação dessa doença nessa fase, já que a parasitemia é baixa e o diagnóstico é sorológico.
- C)pode ser estabelecida pelo exame de gota espessa ou esfregaço sanguíneo;
Errada, porque gota espessa e esfregaço sanguíneo são exames parasitológicos úteis na fase aguda, não na fase crônica assintomática.
- D)preferencialmente deve ser feita pelo xenodiagnóstico que apresenta alta sensibilidade;
Errada, porque o xenodiagnóstico perdeu espaço e não é preferencial; além disso, não é o método de escolha para confirmar a fase crônica.
- E)é feita pela realização de dois testes sorológicos de princípios distintos pesquisando a presença de anticorpos IgG.
Certa, porque a confirmação na fase crônica é feita por dois testes sorológicos de princípios distintos pesquisando anticorpos IgG.
Gabarito: E
Na fase crônica da doença de Chagas, especialmente no paciente assintomático que descobre a suspeita em um exame de rotina, a lógica é diferente da fase aguda: o parasita já não costuma aparecer com facilidade no sangue, então o diagnóstico passa a depender da resposta imune do organismo. Por isso, o exame de escolha não é aquele de “caça ao bichinho”, e sim a sorologia. O padrão recomendado é fazer dois testes sorológicos com princípios distintos, pesquisando anticorpos IgG contra o Trypanosoma cruzi. Isso aumenta a segurança do diagnóstico, porque um teste sozinho pode gerar falso-positivo ou falso-negativo. Na prática, a confirmação nessa fase exige concordância entre métodos diferentes, como ELISA, imunofluorescência indireta ou hemaglutinação indireta, conforme o protocolo local. Se os resultados forem discordantes, costuma-se lançar mão de um terceiro método para desempate. Essa estratégia é a base usada na doutrina e nas diretrizes do Ministério da Saúde para a doença de Chagas crônica. Agora, por que a alternativa E está certa? Porque ela descreve exatamente o raciocínio da fase crônica: detectar IgG por dois testes de princípios distintos. Já IgM, parasitologia direta, gota espessa e xenodiagnóstico são mais ligados à fase aguda ou têm baixa utilidade nessa situação. Em prova, sempre desconfie quando a banca tenta trazer método de fase aguda para um quadro silencioso e tardio. A doença de Chagas adora uma pegadinha com tempo de evolução.