Paciente de 48 anos, em pós-operatório de cirurgia torácica, apresenta derrame pleural volumoso à esquerda. Toracocentese diagnóstica revelou líquido pleural de aspecto esbranquiçado leitoso. A despeito do derrame pleural o paciente encontra-se em bom estado geral e com parâmetros laboratoriais dentro da normalidade. Assinale a opção que indica a principal causa para o derrame pleural descrito acima e os exames laboratoriais indicados para o diagnóstico.
- A)Empiema pleural / dosagem de pH e glicose do líquido pleural e do sangue.
Errada, porque empiema costuma ter aspecto purulento e sinais de infecção, não líquido leitoso em paciente bem.
- B)Derrame pleural transudativo / dosagem de LDH e proteínas do líquido pleural e do sangue.
Errada, porque transudato não explica o aspecto leitoso e a principal avaliação inicial é por critérios bioquímicos como proteínas e LDH, não o quadro descrito.
- C)Pseudo-quilotórax / dosagem de colesterol do líquido pleural e do sangue.
Errada, porque pseudo-quilotórax é mais associado a derrames crônicos com colesterol alto, não ao pós-operatório de cirurgia torácica.
- D)Derrame para-pneumônico / dosagem de LDH, proteínas e glicose do líquido pleural e do sangue.
Errada, porque derrame parapneumônico se relaciona a pneumonia e inflamação pleural, geralmente com alteração clínica e laboratorial, não a líquido leitoso pós-cirurgia.
- E)Quilotórax / dosagem de triglicerídeos do líquido pleural e do sangue.
Certa, porque o pós-operatório de cirurgia torácica sugere lesão do ducto torácico, levando a quilotórax, que é confirmado pela dosagem de triglicerídeos no líquido pleural.
Gabarito: E
O derrame pleural com aspecto esbranquiçado leitoso, principalmente no pós-operatório de cirurgia torácica, faz pensar em quilotórax. Isso acontece quando há lesão ou obstrução do ducto torácico, permitindo vazamento de quilo para o espaço pleural. Em cirurgias do tórax, essa é uma causa clássica, porque o ducto pode ser manipulado ou lesado durante o procedimento. O ponto-chave aqui é que o líquido pleural pode até enganar pela aparência, mas o diagnóstico é bioquímico. No quilotórax, o exame mais útil é a dosagem de triglicerídeos no líquido pleural, geralmente com valor acima de 110 mg/dL, e, quando necessário, a pesquisa de quilomícrons confirma o diagnóstico. A dosagem no sangue ajuda a contextualizar, mas o que fecha mesmo a suspeita é o perfil lipídico do líquido. A banca gosta de misturar derrame leitoso com pseudo-quilotórax e empiema, porque tudo pode parecer 'branco'. Só que o pseudo-quilotórax costuma ocorrer em derrames crônicos, com colesterol elevado, e não com vazamento de linfa. Já o empiema vem com paciente toxicado, inflamação e líquido purulento, o que não combina com este caso, em que o paciente está em bom estado geral. Então, se você viu derrame pleural leitoso no pós-operatório de tórax, pense primeiro em quilotórax por lesão do ducto torácico. E, para confirmar, procure triglicerídeos no líquido pleural, não fique caçando pH, glicose ou colesterol como se fosse outra história.