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Medicina · FGV · 2022

Questão comentada de Medicina

Em um serviço de emergência, homem, 20 anos, hálito etílico, é admitido com dor de forte intensidade e sangramento em membro inferior. Ao exame clínico: ferimento em coxa direita profundo, de aspecto sujo e com corpo estranho. Os cuidados com a ferida já estão em curso. Quanto à vacinação prévia contra o tétano, há evidência de adequado registro para o recebimento de três doses e de uma dose de reforço há 3 anos. Diante do apresentado, assinale a assertiva correta.

Gabarito: D

Na profilaxia do tétano, a primeira pergunta é sempre: a ferida é limpa ou é de risco? Ferida profunda, suja, com corpo estranho e sangramento entra na categoria de alto risco para tétano, porque oferece um ambiente perfeito para a bactéria produzir toxina. Até aqui, a ferida é daquelas que fazem a prevenção trabalhar de verdade. Depois vem a segunda pergunta: como está a vacina do paciente? Se a pessoa tem esquema básico completo, com 3 doses, e recebeu reforço recente, a proteção costuma ser suficiente para dispensar medidas extras. Em feridas de alto risco, o reforço só é indicado quando a última dose foi há 5 anos ou mais. Com reforço há 3 anos, não há indicação de nova dose agora. Também não há indicação de imunoglobulina humana hiperimune antitetânica (IGHAT) nem de soro antitetânico (SAT), porque esses produtos ficam para situações de ferida de risco em não vacinados, esquema incompleto ou situação vacinal incerta. Aqui o registro vacinal é adequado, então não precisa “apertar o botão de pânico imunológico”. Por isso, o gabarito é a letra D: a ferida é de alto risco, mas o paciente já tem proteção vacinal adequada e recente, sem necessidade de IGHAT, SAT ou reforço. É o tipo de questão em que a banca testa se você sabe separar risco da ferida e status vacinal do paciente.

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