Homem de 36 anos, obeso, procura serviço de emergência com dor abdominal, náuseas e hematúria. Seus sinais vitais estão adequados e há dor à palpação do quadrante inferior esquerdo do abdome, sem outros achados no exame físico. O exame de urina confirma a presença de sangue, sem outros elementos anormais. A tomografia computadorizada revela litíase de 4mm no terço distal do ureter esquerdo. A melhor abordagem terapêutica para esse paciente é:
- A)nefrolitotomia percutânea;
Errada, porque nefrolitotomia percutânea é reservada para cálculos volumosos ou complexos, especialmente renais, e não para um cálculo ureteral distal de 4 mm.
- B)hidratação e controle da dor;
Certa, pois um cálculo ureteral distal pequeno, em paciente estável e sem infecção, costuma ser tratado de forma conservadora com hidratação e analgesia.
- C)extração do cálculo por ureteroscopia;
Errada, porque ureteroscopia é opção para falha do tratamento clínico, cálculo maior ou sintomático persistente, e não é a primeira escolha aqui.
- D)pielolitotomia por cirurgia a “céu aberto”;
Errada, pois a cirurgia aberta ficou para situações excepcionais e hoje quase não é indicada em um quadro simples como este.
- E)litotripsia extracorpórea por ondas de choque.
Errada, porque a litotripsia por ondas de choque é mais útil em outros cenários e não costuma ser a melhor opção para um cálculo distal pequeno, com alta chance de eliminação espontânea.
Gabarito: B
A conduta nas cólicas renais depende muito do tamanho do cálculo, da localização e da presença de complicações. Em geral, cálculos pequenos, especialmente os com menos de 5 mm, têm alta chance de eliminação espontânea, principalmente quando estão no ureter distal. Nesses casos, a lógica é simples: aliviar a dor, hidratar de forma adequada e observar a evolução, porque o corpo muitas vezes faz o trabalho sozinho. Neste paciente, a tomografia mostrou um cálculo de 4 mm no terço distal do ureter esquerdo, e ele está hemodinamicamente estável, sem sinais de infecção, obstrução grave ou insuficiência renal. Isso favorece tratamento conservador. A hidratação e o controle da dor são, portanto, a melhor abordagem inicial, com orientação para acompanhamento e retorno se houver piora, febre, vômitos persistentes ou ausência de eliminação do cálculo. Os procedimentos mais invasivos ficam reservados para situações como cálculo maior, dor refratária, infecção associada, obstrução importante ou falha do tratamento clínico. Ureteroscopia, litotripsia e cirurgia aberta não são a primeira escolha para um cálculo tão pequeno e distal. Em prova, a banca costuma testar exatamente isso: você vê a pedra e já quer operar, mas nem sempre o corpo pede essa intervenção dramática. Resumo de prova: cálculo ureteral distal de 4 mm, paciente estável, sem complicações = tratamento conservador com hidratação e analgesia. É a clássica situação em que a medicina prefere a estratégia menos invasiva, porque ela costuma funcionar muito bem.