Homem de 63 anos, portador de diabetes mellitus e hipertensão arterial há 13 anos, com edema nos membros inferiores há seis meses, fadiga e redução do volume urinário. Vinha em uso irregular de metformina, hidroclorotiazida e captopril. Apresenta pressão arterial = 160/95mmHg; frequência cardíaca = 96bpm; mucosas hipocoradas; presença de edema bilateral nos membros inferiores (++/4+). Exames de sangue iniciais: - hemoglobina = 10,5g/dl; - glicemia = 106mg/dl; - sódio = 130mmol/l; - potássio = 5,0mmol/l; - creatinina sérica = 2,3mg/dl; - ureia = 86mg/dl. A relação albumina/creatinina na urina foi de 120mg/g. Uma vez otimizado o tratamento desse paciente, o indicador de redução da progressão da doença renal a ser observado pelo médico é:
- A)redução da proteinúria;
Correta, porque a redução da proteinúria/albuminúria é um marcador clássico de melhor resposta e menor progressão da doença renal crônica.
- B)controle da glicemia em jejum;
Errada, pois o controle da glicemia em jejum é importante, mas não é o melhor indicador de progressão renal nesta situação.
- C)diminuição da creatinina sérica;
Errada, porque a creatinina sérica reflete função renal, mas não é o indicador mais sensível de redução da progressão da doença.
- D)dosagem da hemoglobina glicada;
Errada, já que a hemoglobina glicada avalia controle glicêmico crônico, e não a evolução renal propriamente dita.
- E)normalização dos níveis plasmáticos dos eletrólitos.
Errada, porque a normalização dos eletrólitos é desejável, mas não é o principal marcador de resposta na progressão da nefropatia.
Gabarito: A
Aqui a ideia central é acompanhar o que melhor mostra se a doença renal crônica está andando para frente ou está sendo freada. Em pacientes com diabetes e hipertensão, a lesão renal costuma começar e evoluir com perda de albumina na urina, por isso a relação albumina/creatinina urinária é um marcador muito útil para monitorar risco e progressão. Quando ela cai, em geral o rim está menos “vazando” proteína, o que costuma indicar melhor controle da lesão renal. Neste caso, o paciente já tem sinais de doença renal crônica, como creatinina elevada, ureia alta, edema, hipertensão e anemia. Depois de otimizar o tratamento, o médico deve observar um parâmetro que realmente reflita redução da progressão da nefropatia, e isso é a diminuição da proteinúria/albuminúria. Esse é um dos alvos clássicos na nefropatia diabética e hipertensiva, junto com controle pressórico e uso de bloqueio do sistema renina-angiotensina quando possível. A lógica é simples: creatinina, ureia e eletrólitos podem até oscilar, mas nem sempre traduzem de forma precoce se a doença renal está desacelerando. Já a albuminúria funciona como um termômetro bem sensível do dano glomerular. Por isso, reduzir a perda urinária de albumina é um sinal de resposta terapêutica e de menor risco de progressão renal. Em resumo: na nefropatia crônica do diabético, o que você quer ver é menos proteína escapando na urina. É o tipo de dado que o rim “entrega” antes de piorar de vez, e a banca costuma cobrar exatamente essa leitura clínica.