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Medicina · FGV · 2022

Questão comentada de Medicina

Com relação à transição epidemiológica, analise as afirmativas a seguir. I. A substituição linear do padrão das doenças infecciosas e parasitárias pelas crônico-degenerativas, um dos fundamentos da teoria da transição epidemiológica, nem sempre foi verificada em vários países. As previsões oficiais de que a medicina controlaria definitivamente as doenças infecciosas e parasitárias revelaram-se, com o passar do tempo, equivocadas. Doenças tais como a malária, as leishmanioses, a tuberculose e as hepatites virais ainda causam muitas mortes em muitas partes do mundo. Por outro lado, novas doenças, como a aids e a covid-19, continuam a surgir de forma sem precedentes, enquanto outras reaparecem em regiões onde elas estavam em declínio ou não mais ocorriam. II. Diversas críticas têm sido dirigidas à teoria da transição epidemiológica, tal como formulada originalmente. Considera-se que a generalização para diversas realidades de seus enunciados, formulados a partir dos países centrais, especialmente os europeus, obscurece diferenças entre os diversos países e entre subgrupos populacionais dentro de cada país. Nesse sentido, a teoria da transição epidemiológica, dado o caráter determinista e historicamente limitado, seria insuficiente e parcial, do ponto de vista explicativo, ante a complexa tarefa de predição de um provável desenvolvimento de padrões epidemiológicos, tomando somente como referência estudos sobre os países desenvolvidos nos últimos dois séculos. III. A transformação dos perfis epidemiológicos no Brasil apresenta um caráter diferenciado que não se adequa necessariamente ao modelo de substituição das doenças infecciosas e parasitárias por doenças crônico-degenerativas, acidentes e violências. Observa-se no país não existir uma transição propriamente dita dos contextos epidemiológicos ao longo do tempo, mas sim uma superposição deles, o que traz como desafios para a saúde pública tanto doenças infecciosas e parasitárias quanto as crônico-degenerativas e outros agravos não-infecciosos. Está correto o que se afirma em

Gabarito: E

A transição epidemiológica é a ideia de que o peso das doenças em uma população muda ao longo do tempo, com redução das infecciosas e aumento das crônicas. Isso é útil como modelo, mas a vida real gosta de complicar o roteiro: em muitos lugares, as doenças infecciosas não desapareceram, algumas reapareceram e novas epidemias surgiram. Ou seja, a mudança não foi sempre linear nem universal. Por isso, a assertiva I está correta ao lembrar que a previsão de controle definitivo das doenças infecciosas falhou em vários contextos. Malária, tuberculose, hepatites virais, aids e covid-19 mostram que o cenário é mais dinâmico do que o modelo clássico sugeria. A assertiva II também está correta porque aponta a principal crítica à teoria original: ela foi construída com base na experiência de países europeus e não explica bem a diversidade entre países e dentro deles. Na prática, a epidemiologia não segue um relógio igual para todo mundo. A assertiva III também está certa ao descrever o caso brasileiro. No Brasil, há superposição de perfis epidemiológicos: convivem doenças infecciosas, crônicas e agravos como acidentes e violências. Esse quadro é muito associado à chamada polarização epidemiológica e à tripla carga de doenças, conceitos muito usados na saúde coletiva para explicar essa realidade mais heterogênea.

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