O CPAP nasal é utilizado em RN com desconforto respiratório, com o objetivo de diminuir a necessidade de suporte ventilatório invasivo. Das opções a seguir, assinale a que é contraindicada para seu uso.
- A)Apneia da prematuridade.
Pode ser útil na apneia da prematuridade, pois ajuda a manter a via aérea pérvia e reduzir episódios de colapso respiratório.
- B)Traqueomalácia.
Não é contraindicação clássica; em traqueomalácia, a pressão positiva pode até ajudar a evitar o colapso expiratório das vias aéreas.
- C)Paralisia do nervo frênico.
Não é contraindicação absoluta; em alguns casos, o CPAP pode aliviar o esforço respiratório e servir de suporte temporário.
- D)Fístula traqueoesofâgica.
Está errada como indicação de CPAP porque a fístula traqueoesofágica faz o ar desviar para o esôfago, aumentando distensão abdominal e complicações.
- E)Atelectasia.
É uma indicação frequente de CPAP, já que a pressão positiva ajuda a recrutar alvéolos e melhorar a oxigenação na atelectasia.
Gabarito: D
O CPAP nasal mantém uma pressão positiva contínua nas vias aéreas e ajuda o recém-nascido a não colabar os alvéolos, reduzindo o trabalho respiratório. Ele é muito útil em quadros como desconforto respiratório do prematuro, atelectasia e algumas situações de via aérea instável, porque melhora a oxigenação sem precisar intubar de imediato. A ideia é simples: manter o pulmão aberto com menos invasão, quase como um “arame” de sustentação para o pulmão cansado. Mas nem todo bebê com desconforto respiratório pode sair recebendo CPAP automaticamente. Se houver uma comunicação anormal entre traqueia e esôfago, o ar pode desviar para o trato digestivo, piorando a distensão abdominal e prejudicando a ventilação. Em outras palavras, o CPAP empurra ar para todo lugar onde não devia, então ele vira um problema em vez de solução. Por isso, a fístula traqueoesofágica é a opção contraindicada. Nessa situação, a pressão positiva pode aumentar a passagem de ar para o estômago e o intestino, elevar o risco de distensão, regurgitação e complicações respiratórias. A conduta costuma exigir estabilização cuidadosa, com manejo específico da via aérea e, muitas vezes, suporte ventilatório invasivo planejado. As demais alternativas podem se beneficiar do CPAP em diferentes cenários: ele ajuda a recrutar alvéolos na atelectasia, pode reduzir apneias relacionadas à prematuridade e até aliviar a dinâmica respiratória em alguns casos de traqueomalácia ou de paralisia frênica, dependendo da gravidade e da avaliação clínica.