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Medicina · FGV · 2022

Questão comentada de Medicina

Um escolar apresentou início de quadro clínico com febre e odinofagia, seguido de exantema, após 24 horas. O exantema iniciou-se pelo pescoço e se disseminou para tronco e extremidades, era difuso, composto de micropápulas, eritematoso, com clareamento à digitopressão, sendo mais acentuado nas dobras dos cotovelos, axilas e virilhas, e a pele estava áspera. As bochechas do menino eram também eritematosas, com palidez perioral. Após 3 a 4 dias o exantema começou a desaparecer e foi seguido por descamação, inicialmente na face, com progressão para o restante do corpo, aparentado queimadura solar, sendo que nas margens das unhas, nas palmas das mãos e nas solas dos pés a descamação era laminar. Ao exame físico na fase aguda, a orofaringe estava hiperemiada, as amígdalas hipertrofiadas com exsudato purulento e a língua tinha o aspecto de morango branco, posteriormente evoluindo para aspecto de framboesa. Apresentava ainda adenomegalia cervical anterior dolorosa. Vinha desde o início em uso de dipirona para febre e foi medicado com penicilina bezatina no segundo dia de evolução. O diagnóstico mais provável é

Gabarito: B

O quadro descreve escarlatina, que é a apresentação clássica da infecção por Streptococcus pyogenes produtor de toxina eritrogênica. Ela costuma começar com febre, dor de garganta e amigdalite exsudativa, e em seguida surge um exantema difuso, micropapular, áspero ao toque, com maior intensidade em pregas como axilas, virilhas e dobras dos cotovelos, o que lembra a chamada linha de Pastia. A face fica bem avermelhada, mas com palidez perioral, outro detalhe bem característico. Depois de alguns dias, o exantema começa a sumir e vem a descamação, que pode ser fina na face e mais laminar em mãos, pés e ao redor das unhas. A língua também ajuda muito: primeiro fica com saburra esbranquiçada, o famoso "morango branco", e depois evolui para "língua em framboesa". Quando esse pacote aparece junto, a banca quer que você pense em escarlatina sem muito drama. O gabarito é a letra B porque o enunciado junta os achados mais clássicos da doença: faringoamigdalite bacteriana, exantema morbiliforme áspero, acentuação em dobras, palidez perioral, língua em framboesa e descamação posterior. O uso de penicilina benzatina também combina com o tratamento da infecção estreptocócica, que é o ponto de fundo aqui. As outras alternativas caem porque sarampo costuma ter tríade respiratória e manchas de Koplik, doença de Kawasaki exige febre prolongada e outros critérios mucocutâneos, farmacodermia não explica tão bem a sequência clínica típica, e estafilococcia grave teria outra cara clínica. Em prova de Pediatria, quando o exantema vem depois da faringite e deixa a pele com aspecto de lixa, o Streptococcus costuma estar sorrindo no canto da questão.

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