Um escolar apresentou início de quadro clínico com febre e odinofagia, seguido de exantema, após 24 horas. O exantema iniciou-se pelo pescoço e se disseminou para tronco e extremidades, era difuso, composto de micropápulas, eritematoso, com clareamento à digitopressão, sendo mais acentuado nas dobras dos cotovelos, axilas e virilhas, e a pele estava áspera. As bochechas do menino eram também eritematosas, com palidez perioral. Após 3 a 4 dias o exantema começou a desaparecer e foi seguido por descamação, inicialmente na face, com progressão para o restante do corpo, aparentado queimadura solar, sendo que nas margens das unhas, nas palmas das mãos e nas solas dos pés a descamação era laminar. Ao exame físico na fase aguda, a orofaringe estava hiperemiada, as amígdalas hipertrofiadas com exsudato purulento e a língua tinha o aspecto de morango branco, posteriormente evoluindo para aspecto de framboesa. Apresentava ainda adenomegalia cervical anterior dolorosa. Vinha desde o início em uso de dipirona para febre e foi medicado com penicilina bezatina no segundo dia de evolução. O diagnóstico mais provável é
- A)sarampo.
Errada, porque sarampo costuma ter tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik, além de exantema com progressão cefalocaudal, e não esse padrão típico de pele áspera e língua em framboesa.
- B)escarlatina.
Certa, pois o quadro é clássico de escarlatina por Streptococcus pyogenes, com faringoamigdalite, exantema micropapular áspero, linhas de Pastia, palidez perioral, língua em morango/framboesa e descamação posterior.
- C)estafiloccocia.
Errada, porque estafilococcia grave não costuma dar esse conjunto de faringite estreptocócica, exantema escarlatiniforme típico e descamação tardia descrita no enunciado.
- D)farmacodermia.
Errada, porque farmacodermia pode causar exantema, mas não explica bem o quadro infeccioso de garganta, a língua em framboesa e a evolução clássica com descamação.
- E)doença de Kawasaki.
Errada, porque a doença de Kawasaki exige febre prolongada e outros sinais como conjuntivite, alteração de mucosas, edema/eritema de extremidades e adenomegalia, sem o exantema escarlatiniforme típico da questão.
Gabarito: B
O quadro descreve escarlatina, que é a apresentação clássica da infecção por Streptococcus pyogenes produtor de toxina eritrogênica. Ela costuma começar com febre, dor de garganta e amigdalite exsudativa, e em seguida surge um exantema difuso, micropapular, áspero ao toque, com maior intensidade em pregas como axilas, virilhas e dobras dos cotovelos, o que lembra a chamada linha de Pastia. A face fica bem avermelhada, mas com palidez perioral, outro detalhe bem característico. Depois de alguns dias, o exantema começa a sumir e vem a descamação, que pode ser fina na face e mais laminar em mãos, pés e ao redor das unhas. A língua também ajuda muito: primeiro fica com saburra esbranquiçada, o famoso "morango branco", e depois evolui para "língua em framboesa". Quando esse pacote aparece junto, a banca quer que você pense em escarlatina sem muito drama. O gabarito é a letra B porque o enunciado junta os achados mais clássicos da doença: faringoamigdalite bacteriana, exantema morbiliforme áspero, acentuação em dobras, palidez perioral, língua em framboesa e descamação posterior. O uso de penicilina benzatina também combina com o tratamento da infecção estreptocócica, que é o ponto de fundo aqui. As outras alternativas caem porque sarampo costuma ter tríade respiratória e manchas de Koplik, doença de Kawasaki exige febre prolongada e outros critérios mucocutâneos, farmacodermia não explica tão bem a sequência clínica típica, e estafilococcia grave teria outra cara clínica. Em prova de Pediatria, quando o exantema vem depois da faringite e deixa a pele com aspecto de lixa, o Streptococcus costuma estar sorrindo no canto da questão.