Paciente masculino de 58 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial, realizou alguns exames laboratoriais para consulta com seu médico. Sua pressão arterial era 150/90mmHg e os exames apresentaram: - glicemia (jejum) = 142mg/dl; - Na = 140mmol/l; - K = 5,3mmol/l; - ureia = 36mg/dl; - creatinina = 1,1mg/dl; - microalbuminúria = 250mg/24h. Sobre esse último achado, é correto afirmar que:
- A)está dentro do limite normal;
Errada, porque 250 mg/24h está acima do normal e caracteriza microalbuminúria, não um resultado dentro do limite fisiológico.
- B)é compatível com macroalbuminúria;
Errada, porque macroalbuminúria geralmente é acima de 300 mg/24h, e 250 mg/24h ainda está na faixa de microalbuminúria.
- C)indica que há um aumento da permeabilidade glomerular;
Certa, porque a presença de albumina na urina em quantidade aumentada indica alteração da barreira de filtração glomerular, com maior permeabilidade.
- D)trata-se de síndrome nefrótica ainda em uma fase assintomática;
Errada, porque síndrome nefrótica envolve proteinúria muito maior, geralmente acima de 3,5 g/24h, além de outros achados clínicos e laboratoriais.
- E)provavelmente as dosagens sanguíneas estão erradas, pois deveriam estar mais elevadas.
Errada, porque a microalbuminúria não depende de ureia ou creatinina elevadas; ela pode aparecer precocemente mesmo com função renal preservada.
Gabarito: C
A microalbuminúria é um marcador bem importante de lesão renal inicial, especialmente em quem tem diabetes e hipertensão. Ela mostra que pequenas quantidades de albumina estão escapando pela urina, antes mesmo de a creatinina subir ou de aparecer insuficiência renal franca. Ou seja, o rim ainda pode estar com “cara de normal” nos exames mais clássicos, mas o filtro glomerular já está começando a falhar. Na prática, microalbuminúria entre 30 e 300 mg/24h sugere aumento da permeabilidade do glomérulo à albumina. O valor de 250 mg/24h entra exatamente nessa faixa, então não é normal e também não é macroalbuminúria, que costuma ser acima de 300 mg/24h. Em diabéticos, isso é um sinal precoce de nefropatia diabética e de maior risco cardiovascular. Por isso o gabarito C está correto: o achado aponta que a barreira de filtração glomerular ficou mais “vazadinha”, permitindo a passagem de albumina. É uma alteração fisiopatológica típica de doença renal inicial, mesmo com ureia e creatinina ainda preservadas. Resumo de prova: se a questão trouxer microalbuminúria em paciente diabético, pense em lesão glomerular inicial, não em síndrome nefrótica e muito menos em exame normal. O rim costuma avisar antes de gritar.