Paciente de 61 anos, sem comorbidades, com diagnóstico de câncer de pulmão no lobo superior esquerdo. Realizou avaliação funcional pré-operatória. O cálculo do VEF1 previsto pósoperatório (ppo) foi de 68% e DLCO ppo de 65%. Em relação ao risco cirúrgico pulmonar do paciente, assinale a afirmativa correta.
- A)VEF1 ppo de 68% e DLCO ppo de 65% indicam necessidade de complementação da avaliação com cintilografia de perfusão.
Errada: valores acima de 60% não exigem cintilografia de perfusão, que costuma ser reservada para cenários em que a avaliação funcional precisa ser refinada.
- B)VEF1 ppo de 68% e DLCO ppo de 65% indicam risco elevado, com contraindicação ao procedimento cirúrgico proposto.
Errada: ppo VEF1 de 68% e ppo DLCO de 65% não configuram risco elevado nem contraindicação cirúrgica.
- C)VEF1 ppo de 68% e DLCO ppo de 65% indicam complementação da avaliação com Teste Cardiopulmonar de Exercício (TCPE).
Errada: o TCPE é usado principalmente quando os valores ficam em faixa intermediária ou quando há dúvida funcional, não neste cenário favorável.
- D)VEF1 ppo de 68% e DLCO ppo de 65% indicam risco funcional respiratório permitido para o procedimento proposto.
Certa: ppo VEF1 e ppo DLCO acima de 60% indicam reserva funcional adequada e risco pulmonar aceito para a cirurgia.
- E)VEF1 ppo de 68% e DLCO ppo de 65% indicam necessidade de complementação da avaliação com teste de caminhada de 6 minutos.
Errada: o teste de caminhada de 6 minutos pode ser usado em estratificação complementar em casos selecionados, mas aqui os índices já permitem liberação sem exame adicional.
Gabarito: D
Na avaliação pré-operatória para ressecção pulmonar, o que manda é estimar o quanto de pulmão vai sobrar depois da cirurgia. Para isso, os dois números mais importantes são o VEF1 previsto pós-operatório (ppo VEF1) e a DLCO prevista pós-operatória (ppo DLCO), porque eles ajudam a medir reserva ventilatória e capacidade de troca gasosa. A regra prática é bem cobrada: quando ambos ficam acima de 60% do previsto, o risco funcional pulmonar costuma ser considerado aceitável, e o paciente pode seguir para a cirurgia sem precisar de testes complementares. Quando ficam entre 30% e 60%, aí a história muda e a investigação pode avançar com testes funcionais de esforço, como teste de caminhada, escada ou teste cardiopulmonar, conforme o caso. Neste paciente, o ppo VEF1 foi 68% e a ppo DLCO foi 65%. Os dois valores estão acima de 60%, então ele entra na faixa de risco funcional permitido para o procedimento proposto. Ou seja: nada de drama desnecessário, nada de empurrar exame extra só por precaução, porque os números já são tranquilizadores. Esse raciocínio segue os algoritmos clássicos de avaliação funcional pré-operatória usados em pneumologia e cirurgia torácica, como os descritos em diretrizes internacionais e consensos de prática clínica: primeiro estima-se ppo VEF1 e ppo DLCO, depois decide-se se precisa ou não complementar com testes de exercício.