Jovem médico do programa de saúde da família, procura informações acerca do tratamento farmacológico para transtornos depressivos, no endereço eletrônico linhas de cuidado.saude.gov.br. Ele encontra as seguintes informações: os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (por exemplo, a fluoxetina) são a primeira linha de tratamento preconizado; estes medicamentos apresentam contraindicação absoluta em um contexto de
- A)infarto agudo do miocárdio recente (3-4 semanas).
Errada: infarto recente não é a contraindicação absoluta clássica dos ISRS, embora o paciente deva ser avaliado com cautela e individualização.
- B)alteração na condução cardíaca.
Errada: alteração da condução cardíaca exige atenção, mas não é a contraindicação absoluta típica cobrada para fluoxetina e outros ISRS.
- C)bulimia.
Errada: bulimia não contraindica ISRS; ao contrário, a fluoxetina pode ser usada em transtornos alimentares, especialmente bulimia nervosa.
- D)anorexia.
Errada: anorexia não é a contraindicação absoluta específica dos ISRS, embora o quadro clínico e nutricional mereça acompanhamento rigoroso.
- E)uso concomitante de tamoxifeno.
Certa: tamoxifeno depende da CYP2D6 para ativação, e a fluoxetina pode reduzir sua eficácia ao inibir essa enzima.
Gabarito: E
Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, como a fluoxetina, costumam ser a primeira escolha no tratamento farmacológico da depressão porque têm boa eficácia e perfil de segurança razoável. Na prática, isso aparece muito em atenção primária e em programas de saúde da família, onde você precisa escolher uma droga eficaz sem criar mais problema do que solução. A grande sacada desta questão é lembrar das interações medicamentosas. A fluoxetina e outros ISRS, especialmente fluoxetina e paroxetina, inibem a enzima CYP2D6. Essa enzima é importante para transformar o tamoxifeno em seu metabólito ativo, o endoxifeno. Se você bloqueia essa ativação, o tamoxifeno perde parte do efeito antiestrogênico, o que é péssimo em paciente com câncer de mama hormônio-dependente. Por isso, o uso concomitante de tamoxifeno é considerado contraindicação absoluta ou, no mínimo, deve ser evitado com máxima cautela nas linhas de cuidado, porque pode reduzir a eficácia do tratamento oncológico. Em prova, quando aparecer ISRS + tamoxifeno, pense imediatamente em interação via CYP2D6. As outras alternativas trazem situações que exigem atenção clínica, mas não configuram essa contraindicação absoluta clássica cobrada para ISRS. A banca quer que você reconheça o problema farmacocinético, não só efeitos colaterais gerais. Moral da história: nem toda depressão aceita qualquer antidepressivo, porque no corpo humano tudo conversa, inclusive os remédios.