Mulher de 59 anos portadora de diabetes mellitus tipo 2 apresenta febre e dor no pé esquerdo há dois dias. No seu exame físico: - temperatura axilar foi de 38,1°C; - frequência cardíaca = 116bpm; - pressão arterial = 100/50mmHg; - frequência respiratória = 24irpm; - saturação do oxigênio = 94%; - o pé esquerdo se encontrava edemaciado, quente e avermelhado; - havia uma úlcera aparentando longa duração com presença de secreção purulenta. Foi prontamente iniciado tratamento com líquidos intravenosos, piperacilina/tazobactam, metronidazol e insulina. Revista 36 horas após, ela permanecia febril, taquicárdica e hiperglicêmica. A maior possibilidade de reverter o estado séptico da paciente consiste em:
- A)administrar oxigênio sob máscara;
Errada, porque oxigênio pode ajudar na oxigenação, mas não resolve a causa da sepse nem controla o foco infeccioso.
- B)completar os 14 dias de antibioticoterapia;
Errada, porque completar o tempo total de antibiótico não é a prioridade se a paciente continua séptica e com foco purulento ativo.
- C)aumentar vigorosamente a infusão de líquidos;
Errada, porque mais volume pode ser útil se houver hipoperfusão, mas, após a reanimação inicial, o principal é controlar a fonte da infecção.
- D)referenciar a paciente para tratamento cirúrgico;
Certa, porque o pé diabético com úlcera purulenta e sepse exige controle de foco com abordagem cirúrgica, como drenagem e desbridamento.
- E)substituir os antibióticos por meropenem e vancomicina.
Errada, porque apenas ampliar a cobertura antibiótica não substitui o controle cirúrgico da fonte infecciosa.
Gabarito: D
Nessa questão, o ponto central é que a paciente tem uma infecção grave do pé diabético com sinais de sepse e, mesmo após antibiótico e suporte inicial, não melhorou. Quando o foco infeccioso continua “morando” no corpo, o antibiótico sozinho costuma ficar insuficiente. Em infecções de partes moles com úlcera crônica, secreção purulenta e suspeita de tecido necrosado ou coleção, o que mais muda o jogo é o controle do foco, ou seja, drenagem, desbridamento e, quando necessário, cirurgia. É por isso que a melhor conduta para reverter o estado séptico é encaminhar para tratamento cirúrgico. Na prática, isso significa remover tecido desvitalizado, drenar pus e avaliar extensão da infecção, inclusive para afastar osteomielite. Sem esse passo, a fonte continua alimentando a resposta inflamatória sistêmica, e aí febre, taquicardia e instabilidade persistem apesar do esquema antibiótico. Esse raciocínio é bem alinhado com a doutrina de sepse: antibiótico precoce e suporte hemodinâmico são fundamentais, mas o controle da fonte infecciosa precisa ser feito o mais rápido possível quando há foco drenável ou tecido necrosado. Nas diretrizes de sepse, isso é parte do pacote de tratamento definitivo, não um detalhe opcional. No pé diabético infectado, especialmente com úlcera antiga e pus, pensar só em trocar antibiótico ou em “mais soro” costuma ser uma armadilha. Se há material infectado e necrose, o corpo não vai “desligar a sirene” enquanto o foco continuar ali.