As opções a seguir apresentam alterações metabólicas que podem ocorrer ao término da exsanguineotransfusão, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Hipercalcemia.
Errada, porque a exsanguineotransfusão tende a reduzir o cálcio ionizado pelo efeito do citrato, não a causar hipercalcemia.
- B)Hipomagnesemia.
Certa, pois o citrato pode se complexar com magnésio e contribuir para hipomagnesemia.
- C)Hipoglicemia.
Certa, já que o sangue estocado pode ter menor oferta de glicose e o procedimento pode se associar a hipoglicemia, especialmente em recém-nascidos.
- D)Hiperpotassemia.
Certa, porque hemácias armazenadas liberam potássio, favorecendo hiperpotassemia.
- E)Acidose metabólica.
Certa, pois pode haver acidose metabólica relacionada ao sangue estocado e às alterações metabólicas do procedimento.
Gabarito: A
A exsanguineotransfusão, muito usada em recém-nascidos em algumas situações, troca o sangue do paciente por sangue do doador em vários volumes. Nesse processo, podem aparecer alterações metabólicas por causa do citrato do sangue estocado, do potássio liberado pelas hemácias armazenadas e do próprio perfil do sangue transfundido. Por isso, durante ou ao término do procedimento, o paciente pode apresentar hipomagnesemia, hipoglicemia, hiperpotassemia e até acidose metabólica. O ponto importante aqui é que o citrato do sangue estocado se liga ao cálcio e tende a reduzir o cálcio ionizado, então o esperado seria o oposto de hipercalcemia. Em outras palavras: se o sangue transfundido “rouba” cálcio da circulação, não faz sentido pensar em aumento de cálcio como efeito típico da exsanguineotransfusão. A banca gosta de cobrar esse raciocínio fisiológico simples: o que entra na circulação durante transfusão maciça pode alterar eletrólitos e metabolismo. Citrato, potássio e glicose são os grandes vilões da memória. Já o cálcio ionizado costuma cair, especialmente se houver grande volume transfundido ou menor capacidade hepática de metabolizar o citrato. Assim, a alternativa A é a exceção porque hipercalcemia não é a alteração esperada ao fim da exsanguineotransfusão. O quadro clássico aponta para risco de hipocalcemia, e não de cálcio elevado.