Paciente de 60 anos, em D2 de pós-operatório de colectomia direita por neoplasia de cólon, apresenta quadro de dispneia e dor torácica após levantar e deambular pela primeira vez pelo quarto. Ao exame físico apresenta-se em bom estado geral, lúcida e orientada, corada e hidratada, sem esforço respiratório evidente em repouso. SV: Fc 110bpm, PA 120/80 mmHg, Fr 24irpm, SpO2 91% (ar ambiente). Sem alterações ao exame físico dos aparelhos respiratório e cardiovascular, do abdome e dos membros inferiores. Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale a opção que apresenta o exame complementar mais indicado.
- A)Eco-Doppler de membros inferiores.
Errada: o eco-Doppler pode detectar TVP, mas não confirma TEP e não é o exame mais indicado quando a suspeita é de embolia pulmonar já instalada.
- B)Dosagem laboratorial de D-dímero.
Errada: no pós-operatório e no câncer o D-dímero tende a estar elevado por vários motivos, então ele não é útil para confirmar TEP nesse contexto de alta suspeita.
- C)Ecocardiograma transtorácico.
Errada: o ecocardiograma pode mostrar repercussão hemodinâmica em TEP grave, mas não é o melhor exame para confirmar o diagnóstico em paciente estável.
- D)Radiografia de tórax.
Errada: a radiografia de tórax pode ser normal ou inespecífica no TEP; serve mais para excluir outros diagnósticos do que para confirmar a embolia.
- E)Angio-tomografia computadorizada de tórax.
Certa: a angiotomografia de tórax é o exame de escolha para confirmar TEP em paciente hemodinamicamente estável com suspeita clínica alta.
Gabarito: E
O quadro é muito sugestivo de tromboembolismo pulmonar (TEP): paciente no pós-operatório recente, com neoplasia, iniciou dispneia e dor torácica após deambulação, além de taquicardia, taquipneia e dessaturação leve. Em medicina, esse trio cirurgia recente + câncer + sintomas respiratórios agudos sempre acende a luz amarela bem forte para embolia pulmonar. Quando a suspeita clínica de TEP é alta, o exame complementar mais indicado para confirmar o diagnóstico é a angiotomografia computadorizada de tórax. Ela mostra diretamente o defeito de enchimento nas artérias pulmonares e é o exame de escolha na maioria dos pacientes hemodinamicamente estáveis, como neste caso. O D-dímero não é a melhor opção aqui porque ele ajuda mais quando a probabilidade clínica é baixa ou intermediária. No pós-operatório e no câncer, ele costuma vir elevado mesmo sem TEP, então perde utilidade prática e pode só gerar confusão diagnóstica. Radiografia de tórax, ecocardiograma e eco-Doppler de membros inferiores podem até entrar como exames de apoio, mas não substituem a angiotomografia para confirmar o TEP neste cenário. A lógica da prova é bem clássica: suspeita alta, paciente estável, vá direto ao exame que enxerga o trombo.