A intoxicação por exposição a vapores de mercúrio metálico (Hgº), nos casos crônicos pode causar:
- A)tremores, cefaleia, sensação de fadiga, leucopenia e aplasia de medula;
Errada: tremor e fadiga podem ocorrer, mas leucopenia e aplasia de medula não são o padrão da intoxicação crônica por mercúrio metálico.
- B)dores musculares, sensação de sabor metálico, perda de sensibilidade, sinais de deposição óssea do metal, psicoses e infertilidade;
Errada: mistura sinais inespecíficos com achados que não caracterizam mercúrio crônico, como deposição óssea do metal e infertilidade.
- C)tremores, cefaleia, sensação de fadiga e cólicas abdominais que, em casos agudos, podem ser confundidas com apendicite;
Errada: cólicas abdominais podem aparecer em algumas intoxicações, mas esse quadro não é o típico da exposição crônica a vapores de mercúrio.
- D)tremores, gengivite, cefaleia, sensação de fadiga, depressão, dificuldade de concentração; e, em casos graves, ataxia, rigidez muscular e espasticidade, déficits visuais e demência;
Certa: descreve o eretismo mercurial, com tremor, gengivite, cefaleia, fadiga, depressão e déficit de concentração, podendo evoluir para sinais neurológicos graves.
- E)náuseas, vômitos, sudorese, salivação, sonolência, desmaios, podendo levar à insuficiência respiratória, produzida pelo conjunto de ações muscarínicas nos brônquios, e nicotínicas nas placas motoras e centrais.
Errada: esse é o quadro colinérgico clássico de intoxicação por organofosforados/carbamatos, não por mercúrio.
Gabarito: D
A intoxicação crônica por vapor de mercúrio metálico é clássica por atingir o sistema nervoso central e a boca, produzindo o chamado quadro de eretismo mercurial. O paciente pode apresentar tremor fino, cefaleia, fadiga, irritabilidade, depressão, dificuldade de concentração e, em muitos casos, gengivite e alterações neuropsiquiátricas. É aquela intoxicação que vai “apagando” a pessoa aos poucos, sem fazer barulho no começo. Quando a exposição é mais intensa ou prolongada, o quadro pode evoluir para manifestações neurológicas mais graves, como ataxia, rigidez muscular, espasticidade, déficits visuais e até demência. Esse conjunto é o que faz a alternativa D ficar correta, porque descreve bem a clínica da intoxicação crônica por mercúrio inalado. Já os outros itens misturam achados de outras intoxicações: leucopenia e aplasia de medula lembram agentes mielotóxicos; sabor metálico e perda de sensibilidade apontam para outros metais; cólicas abdominais agudas com aspecto de abdome cirúrgico não são a cara do mercúrio; e o quadro colinérgico com salivação, miose e broncorreia é outro clássico, mas de organofosforados/carbamatos. Em prova, vale guardar a tríade prática do mercúrio crônico: tremor, alterações comportamentais/psíquicas e gengivite, com possível progressão para comprometimento neurológico importante.