Em um hospital terciário, um paciente de 25 anos apresenta hepatite fulminante associada ao vírus da hepatite B. Nesta manhã, ele foi listado para um transplante hepático em caráter de urgência. As alterações características da hepatite fulminante são
- A)flapping e confusão mental; bilirrubina total ≥ 20 mg/dL e razão normalizada internacional (RNI) ≤ 1,0.
Errada, porque flapping e confusão sugerem encefalopatia, mas bilirrubina muito alta com RNI normal não define hepatite fulminante.
- B)edema cerebral e hemorragia digestiva; albumina ≥ 2,8 mg/dL e creatinina 4,0 mg/dL.
Errada, porque edema cerebral e hemorragia digestiva podem ocorrer na insuficiência hepática grave, mas albumina e creatinina desse jeito não são os critérios característicos.
- C)encefalopatia hepática; razão normalizada internacional (RNI) > 1,5.
Certa, porque encefalopatia hepática associada a RNI elevado traduz insuficiência hepática aguda/fulminante.
- D)ascite e hemorragia digestiva; aminotransferases ≥ 2000 UI/L.
Errada, porque ascite e hemorragia digestiva são achados de doença hepática descompensada, mas aminotransferase elevada isoladamente não caracteriza hepatite fulminante.
- E)encefalopatia hepática; aminotransferase ≥ 1000 UI/L e creatinina sérica 4,0 mg/dL.
Errada, porque encefalopatia pode aparecer, mas transaminase alta e creatinina elevada não substituem o critério clássico de coagulopatia com RNI alterado.
Gabarito: C
A hepatite fulminante, hoje mais chamada de insuficiência hepática aguda, é aquela situação em que o fígado entra em colapso rápido e o paciente passa a ter coagulopatia importante e encefalopatia hepática, geralmente em poucas semanas. Na prática, o que chama atenção é a piora neurológica - sonolência, desorientação, confusão, até coma - junto com alteração da coagulação, medida pelo RNI/INR. É esse conjunto que faz o caso ser grave e muitas vezes indicar transplante com urgência. Na hepatite B, isso pode acontecer de forma dramática. O paciente pode até ter transaminases muito altas, icterícia intensa e outros sinais de falência hepática, mas o diagnóstico de fulminância não depende de bilirrubina alta isolada nem de creatinina isolada. O ponto central é a presença de encefalopatia hepática associada à coagulopatia, especialmente com RNI elevado. Por isso o gabarito é a letra C: encefalopatia hepática mais RNI > 1,5. Essa combinação traduz a insuficiência do fígado em sintetizar fatores de coagulação e em depurar substâncias neurotóxicas, o que explica os sintomas mentais. Em provas, essa é a forma clássica de reconhecer hepatite fulminante, e a indicação de transplante entra justamente porque o risco de morte é alto sem reposição do órgão. Resumo de prova: se aparecer hepatite aguda grave com alteração do nível de consciência e RNI elevado, pense em insuficiência hepática aguda. Transaminase muito alta pode aparecer, mas não fecha diagnóstico sozinha. O que manda é falência funcional do fígado, não só inflamação.