Em relação à tuberculose pulmonar, a fim de se conter a cadeia de transmissão da doença e atuar no controle da infecção, o indivíduo com tuberculose bacilífera (baciloscopia positiva) deve permanecer afastado do trabalho até apresentar
- A)uma análise laboratorial de baciloscopia negativa, melhora radiológica documentada por uma radiografia de tórax em posição póstero-posterior e perfil; associada a recuperação clínica favorável.
Errada: uma única baciloscopia negativa não basta, e a radiografia pode ajudar no acompanhamento, mas não substitui o critério microbiológico com duas negativas.
- B)duas análises laboratoriais de baciloscopia negativas consecutivas, melhora radiológica documentada por uma radiografia de tórax em posição póstero-anterior e perfil e seis meses de tratamento completo e supervisionado.
Errada: exige exigências excessivas e desnecessárias, como seis meses de tratamento completo, quando o retorno ao trabalho não depende de finalizar todo o esquema.
- C)duas análises laboratoriais de baciloscopia negativas consecutivas associadas a recuperação clínica favorável e seis meses do tratamento completo e supervisionado.
Errada: embora peça duas baciloscopias negativas e melhora clínica, erra ao exigir seis meses de tratamento completo como شرط obrigatório para retorno.
- D)duas análises laboratoriais de baciloscopia negativas consecutivas associadas a recuperação clínica favorável, a despeito da necessidade de continuação do tratamento pelo tempo necessário.
Certa: o afastamento termina após duas baciloscopias negativas consecutivas e recuperação clínica favorável, mesmo com necessidade de continuidade do tratamento pelo tempo indicado.
- E)três análises laboratoriais de baciloscopia negativas consecutivas associadas a recuperação clínica favorável e seis meses de tratamento completo e supervisionado.
Errada: três baciloscopias negativas não é o critério usual cobrado, e também não é necessário aguardar seis meses de tratamento completo para retorno.
Gabarito: D
Na tuberculose pulmonar bacilífera, a preocupação principal é cortar a transmissão. Por isso, o afastamento do trabalho não depende de um “número mágico” de exames isolados, mas da combinação de melhora clínica e negativação baciloscópica em duas amostras consecutivas. A lógica é simples: enquanto o paciente ainda elimina bacilos, ele continua sendo uma fonte de contágio. Em prova, a banca costuma cobrar o critério usado na prática para retorno às atividades: duas baciloscopias negativas consecutivas associadas a recuperação clínica favorável. Isso indica que a carga bacilar caiu a ponto de reduzir muito o risco de transmissão. Não é obrigatório esperar acabar todo o tratamento, porque a pessoa pode deixar de transmitir antes disso. O ponto decisivo aqui é justamente esse: o afastamento dura até haver melhora clínica e duas baciloscopias negativas, mesmo que o tratamento antituberculoso ainda precise continuar pelo tempo recomendado. Em outras palavras, uma coisa é parar de transmitir; outra, bem diferente, é concluir o esquema terapêutico. Esse entendimento é compatível com as recomendações de controle da tuberculose usadas na rede de saúde e com a prática de vigilância epidemiológica: para liberar o retorno, o foco é a redução do risco de transmissão, não a alta do tratamento completo.