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Medicina · FGV · 2022

Questão comentada de Medicina

As consequências do suporte ventilatório continuam a ser um grande problema para os RN. Entender os conceitos da fisiologia pulmonar é importante para uma assistência ventilatória adequada. Assim, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) A resistência é uma medida de elasticidade do sistema respiratório (caixa torácica e do parênquima pulmonar). ( ) O tempo expiratório insuficiente pode promover pressão positiva no final da expiração inadequada, com hiperdistensão pulmonar. ( ) Os quimiorreceptores cerebrais são mais sensíveis à concentração de íons de hidrogênio do que os valores isolados de PaCO2, no efeito sobre o drive respiratório. As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente

Gabarito: B

Aqui o tema é fisiologia pulmonar aplicada à ventilação do recém-nascido. Em UTI neonatal, não basta “ventilar”: é preciso entender como o pulmão responde ao fluxo de ar, ao tempo inspiratório e expiratório e ao controle do centro respiratório. Isso evita lesão por barotrauma, volutrauma e aprisionamento de ar, que são problemas clássicos no RN. A primeira afirmativa está errada porque resistência não mede elasticidade. Resistência está ligada à dificuldade de passagem do ar pelas vias aéreas, enquanto elasticidade do sistema respiratório se relaciona com complacência e elastância da caixa torácica e do parênquima. Ou seja, resistência é um tema de “passagem do ar”, não de “distensão do pulmão”. A segunda afirmativa está correta. Se o tempo expiratório é curto demais, o ar não consegue sair completamente antes do próximo ciclo ventilatório. Isso favorece aprisionamento aéreo e gera auto-PEEP, isto é, uma pressão positiva ao final da expiração que pode levar à hiperdistensão pulmonar. No RN, isso é especialmente importante porque a mecânica respiratória é delicada e o risco de lesão é maior. A terceira afirmativa também está correta. Os quimiorreceptores centrais respondem principalmente ao aumento de íons H+ no líquido cefalorraquidiano, que reflete o efeito do CO2. Por isso, no controle do drive respiratório, o estímulo relevante não é o CO2 “isolado” em si, mas a acidificação gerada por ele. Resultado: gabarito B, com F - V - V.

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