Um paciente masculino, 24 anos, sem história de tratamento para tuberculose, se apresenta no ambulatório com queixas de tosse, febre, emagrecimento há 6 meses. Já traz uma tomografia de tórax que evidencia múltiplas lesões cavitárias, grandes, em LSD e LIE. Apresenta também uma pesquisa para BAAR positiva no escarro, porém um Teste Molecular Rápido (TMR) para tb negativo. Assinale a opção que melhor explica esse achado (teste molecular rápido negativo com pesquisa de BAAR positiva no escarro) nesse paciente.
- A)A doença apresentada não é causada por micobactéria.
Errada, porque a presença de BAAR indica micobactéria, então a doença pode sim ser causada por esse grupo.
- B)O paciente apresenta um quadro de pneumonia necrotizante.
Errada, pois pneumonia necrotizante pode cavitar, mas não explica bem a associação de BAAR positivo com TMR negativo.
- C)O resultado do TMR é um falso negativo.
Errada como melhor explicação, porque o achado é mais compatível com micobactéria não tuberculosa do que com um simples falso negativo do teste.
- D)O paciente provavelmente é portador de uma doença causada por uma micobactéria não tuberculosa.
Certa, pois o TMR para TB detecta o complexo M. tuberculosis e pode ser negativo em infecção por micobactérias não tuberculosas, apesar do BAAR positivo.
- E)Quando a lesão cavitada é paucibacilar, o TMR pode não ser detectado mas o BAAR pode ser positivo.
Errada, porque lesão paucibacilar tende a dificultar tanto BAAR quanto TMR, e não justifica BAAR positivo com TMR negativo.
Gabarito: D
Aqui a chave é separar dois testes que parecem parecidos, mas não são. A pesquisa de BAAR mostra apenas que existem bacilos álcool-ácido resistentes no escarro. Isso inclui não só o complexo Mycobacterium tuberculosis, mas também micobactérias não tuberculosas. Ou seja: BAAR positivo aponta para micobactéria, mas não fecha tuberculose sozinho. Já o teste molecular rápido para tuberculose procura material genético do complexo M. tuberculosis, além de poder avaliar resistência à rifampicina. Então, se o BAAR vem positivo e o TMR vem negativo, uma explicação bem clássica é que o agente não seja M. tuberculosis, e sim uma micobactéria não tuberculosa. É por isso que a alternativa D é a melhor. Na prática, isso ganha força quando o quadro é cavitário e prolongado, porque algumas micobactérias não tuberculosas também fazem doença pulmonar cavitária, especialmente em pacientes com doença estrutural pulmonar. O TMR não detecta esse grupo, então ele vem negativo apesar de o escarro mostrar BAAR. Resumo de prova: BAAR positivo = micobactéria, mas não distingue espécie. TMR positivo para TB = sugere complexo tuberculoso. Se der BAAR positivo e TMR negativo, pense primeiro em micobactéria não tuberculosa, e não em “TB escondida” por mágica do laboratório.