Sobre o uso de surfactante exógeno na Síndrome do Desconforto Respiratório, analise as afirmativas a seguir. I. O surfactante exógeno deve ser administrado em todos os RNs com diagnóstico da síndrome, se houver necessidade de VM invasiva e FiO2 de pelo menos 30-40%. II. Durante a instilação podem ocorrer alguns efeitos colaterais: bradicardia, obstrução das vias aéreas e hemorragia pulmonar. III. Uma dose adicional de surfactante pode ser feita 6h após a primeira dose se o RN continuar em VM e com FiO2 alta. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Incorreta, porque a afirmativa I está correta e não pode ser isolada como única verdadeira.
- B)I e II, apenas.
Incorreta, porque as afirmativas I e II estão corretas, mas a III também está.
- C)I e III, apenas.
Incorreta, porque as afirmativas I e III estão corretas, mas a II também está.
- D)II e III, apenas.
Incorreta, porque as afirmativas II e III estão corretas, mas a I também está.
- E)I, II e III.
Correta, porque as três afirmativas refletem a conduta e os efeitos esperados do surfactante exógeno na SDR neonatal.
Gabarito: E
Na Síndrome do Desconforto Respiratório do recém-nascido, o surfactante exógeno entra em cena quando há imaturidade pulmonar e o bebê precisa de suporte ventilatório, especialmente se estiver em ventilação mecânica invasiva com necessidade de FiO2 em torno de 30% a 40% ou mais. A ideia é simples: se o pulmão não produz surfactante suficiente, ele colaba mais fácil, fica rígido e o RN faz mais esforço para respirar. A administração pode trazer efeitos imediatos durante a instilação, porque o líquido pode desorganizar temporariamente a ventilação: bradicardia, obstrução de vias aéreas e, em alguns casos, hemorragia pulmonar são eventos descritos. Por isso, a equipe precisa estar bem atenta durante e logo após a aplicação, como quem não tira o olho do painel do carro na subida. Se a resposta clínica não for boa, uma nova dose pode ser necessária. Em protocolos clássicos, é possível repetir a dose após cerca de 6 horas se o recém-nascido permanecer em ventilação mecânica e com necessidade elevada de oxigênio. Isso mostra que o tratamento não é “aplicou e resolveu para sempre”, mas sim ajustado à evolução do paciente. Assim, as três afirmativas estão corretas, e o gabarito é a letra E. Em Pediatria e Neonatologia, a banca costuma cobrar exatamente essa lógica prática: indicação, efeitos adversos da instilação e possibilidade de redose.