Um trabalhador de uma indústria do ramo têxtil, que processa algodão, com 55 anos de idade, fumante há mais de trinta anos, é atendido na atenção primária à saúde do SUS com queixas de tosse seca, aperto no peito e dispneia há cerca de um ano, com piora nos últimos três meses. A investigação clínica demonstrou raio X de tórax com áreas de opacidades e redução do volume expiratório forçado no primeiro minuto (FEV1). Esse quadro é compatível com:
- A)asma ocupacional;
Asma ocupacional é possível em ambiente de trabalho, mas o padrão clássico aqui é de exposição a poeira de algodão com bissinose, não uma asma desencadeada por sensibilizantes específicos.
- B)bissinose;
Correta, pois a exposição a algodão em indústria têxtil com tosse seca, aperto no peito, dispneia e redução do FEV1 é típica de bissinose.
- C)antracose;
Antracose está ligada à inalação de poeira de carvão e pigmentação pulmonar, não ao processamento de algodão.
- D)bagaçose;
Bagaçose ocorre pela inalação de poeira de bagaço de cana-de-açúcar, então a exposição descrita não corresponde a esse diagnóstico.
- E)hidatidose.
Hidatidose é infecção por Echinococcus com formação de cistos, especialmente hepáticos e pulmonares, e não tem relação com poeira têxtil.
Gabarito: B
O quadro descreve uma pneumoconiose ocupacional ligada à inalação crônica de poeira de algodão, muito comum em trabalhadores da indústria têxtil. A pessoa começa com tosse seca, aperto no peito e falta de ar, e os sintomas podem piorar ao longo da semana de trabalho, especialmente após exposição repetida ao pó. Na prática, isso aponta para bissinose, uma doença respiratória relacionada ao algodão, linho e cânhamo. O detalhe importante da questão é a combinação de trabalho com algodão, sintomas respiratórios típicos e alteração funcional com redução do FEV1, sugerindo obstrução ao fluxo aéreo. O raio X pode mostrar opacidades, mas o diagnóstico é sobretudo clínico-ocupacional, apoiado pela história de exposição. Em outras palavras: não é só o pulmão reclamando, é o pulmão reclamando do emprego. A bissinose é chamada por muitos de "doença da segunda-feira" porque os sintomas podem piorar no retorno ao trabalho após o fim de semana, quando a pessoa volta a se expor ao pó de algodão. Com o tempo, a obstrução pode se tornar persistente, especialmente em fumantes, como no caso descrito. O tabagismo aqui piora o cenário, mas não explica sozinho o padrão ocupacional. Por isso, o gabarito B está correto: o paciente é um trabalhador têxtil exposto a algodão, com sintomas respiratórios compatíveis e queda do FEV1, quadro clássico de bissinose. As demais alternativas até lembram doenças pulmonares por agentes ambientais, mas não encaixam tão bem nessa exposição específica.