A Perda Auditiva por Ruído (PAIR) é caracterizada por:
- A)perda auditiva tipo mista, atingindo orelha média e interna, com lesão coclear, que pode ser agravada por otosclerose;
Errada: PAIR não é perda auditiva mista nem envolve, tipicamente, lesão da orelha média, e otosclerose não é fator definidor do quadro.
- B)perda auditiva neurossensorial, com lesão irreversível do órgão de Corti na orelha interna, e que pode ser agravada por exposição a solventes orgânicos;
Certa: PAIR é uma perda neurossensorial, por lesão coclear irreversível, e solventes orgânicos podem potencializar o dano auditivo.
- C)perda auditiva neurossensorial sempre bilateral, inicialmente com perdas maiores nas frequências de 500, 1000 e 2000 hertz;
Errada: a PAIR não começa nas frequências de 500, 1000 e 2000 Hz, mas sobretudo nas altas frequências, com destaque para 4.000 Hz.
- D)perda auditiva neurossensorial, com lesão da orelha interna (cóclea), com diminuição progressiva da acuidade auditiva, mesmo se suspensa a exposição;
Errada: apesar de a lesão ser na orelha interna e a perda ser neurossensorial, a PAIR não continua progredindo obrigatoriamente mesmo após suspender a exposição.
- E)perda auditiva neurossensorial, com lesão coclear, reversível se houver o afastamento da exposição de níveis de pressão sonora acima de 85 dB(A) ou uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado.
Errada: a PAIR não é reversível com afastamento ou com uso de EPI; a prevenção ajuda, mas o dano coclear já instalado tende a ser permanente.
Gabarito: B
A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) é uma perda auditiva neurossensorial, causada por agressão crônica ao ouvido interno, especialmente à cóclea e às células ciliadas do órgão de Corti. O ponto principal é este: o dano é, em regra, irreversível. Por isso, não é aquela perda “vai e volta” com descanso, como muita gente imagina quando pensa em ruído no trabalho. O quadro costuma ser bilateral e simétrico, com início nas frequências mais altas, principalmente em 4.000 Hz, podendo depois atingir outras faixas e comprometer a comunicação. Em geral, a evolução tende a estabilizar com o afastamento da exposição, mas a lesão já instalada não se desfaz magicamente. Se a exposição continua, o prejuízo pode avançar. A alternativa B está correta porque descreve exatamente a natureza da PAIR: perda neurossensorial, com lesão irreversível do órgão de Corti na orelha interna. Além disso, é correto afirmar que a exposição a solventes orgânicos pode agravar o dano auditivo, funcionando como fator associado e potencializador do efeito do ruído. Em provas, a banca costuma cobrar a ideia central da medicina do trabalho: ruído acima dos limites de tolerância é fator de risco clássico, e o padrão audiométrico típico é coclear, neurossensorial e irreversível. A proteção individual ajuda a prevenir, mas não “cura” lesão já feita.