A síndrome hepatorrenal é a complicação mais devastadora da ascite no paciente com cirrose hepática. A terapêutica de primeira linha para esses casos costuma incluir:
- A)reposição volêmica com salina e dopamina;
Errada: salina e dopamina não são esquema de primeira linha para síndrome hepatorrenal e não corrigem adequadamente a vasodilatação esplâncnica.
- B)propranolol, espironolactona e furosemida;
Errada: propranolol, espironolactona e furosemida são usados no manejo da cirrose/ascite, mas não tratam a síndrome hepatorrenal e podem piorar a perfusão renal.
- C)infusão de albumina, midodrina e octreotida;
Certa: albumina com midodrina e octreotida é um esquema clássico para síndrome hepatorrenal, pois aumenta o volume efetivo e reduz a vasodilatação esplâncnica.
- D)expansor plasmático, noradrenalina e espironolactona;
Errada: noradrenalina pode ser usada em alguns casos hospitalares, mas espironolactona não faz parte do tratamento da síndrome hepatorrenal.
- E)lactulose e terapêutica antibiótica profilática por via oral.
Errada: lactulose trata encefalopatia hepática e antibiótico profilático pode ter outros usos na cirrose, mas isso não é tratamento da síndrome hepatorrenal.
Gabarito: C
A síndrome hepatorrenal é uma insuficiência renal funcional que aparece no paciente com cirrose e ascite, geralmente por vasodilatação esplâncnica intensa, queda do volume arterial efetivo e redução da perfusão renal. O rim até pode estar estruturalmente preservado, mas fica “sem pressão para trabalhar”. Na prática, o tratamento de base busca corrigir essa vasodilatação e melhorar a circulação efetiva. Por isso, a combinação de albumina com drogas vasoconstritoras é a espinha dorsal da terapêutica. A albumina expande o volume plasmático, enquanto midodrina e octreotida ajudam a reduzir a vasodilatação esplâncnica e a melhorar a perfusão renal. Esse é o motivo de a alternativa C estar correta. Em muitos protocolos e em provas, a associação albumina + midodrina + octreotida aparece como esquema clássico, especialmente quando não se usa terlipressina. Na vida real, terlipressina com albumina é muito lembrada como primeira escolha em diversos cenários, mas entre as opções oferecidas, C é a que melhor representa o manejo adequado. Resumindo: não é diurético, não é beta-bloqueador, não é lactulose. Na síndrome hepatorrenal, a lógica é “encher o vaso e apertar a vasodilatação”, não continuar tirando volume do paciente.