Paciente de 56 anos com neoplasia de pulmão no lobo superior direito e indicação de lobectomia superior direita. A neoplasia é representada por nódulo periférico e não há alterações no restante do parênquima pulmonar. A avaliação funcional préoperatória evidenciou VEF1 de 75% e DLCO de 70%. Em relação ao valor aproximado do VEF1 e DLCO previstos para o pós-operatório (ppo), assinale a opção correta.
- A)VEF1 ppo = 63% e DLCO ppo = 59%.
Correta: após retirar 3 de 19 segmentos, fica cerca de 84% da função, resultando em VEF1 ppo de 63% e DLCO ppo de 59%.
- B)VEF1 ppo = 55% e DLCO ppo = 51%.
Errada: subestima a função residual, como se a perda segmentar fosse maior do que a de uma lobectomia superior direita.
- C)VEF1 ppo = 35% e DLCO ppo = 33%.
Errada: os valores estão muito baixos para uma ressecção limitada a um lobo, sugerindo cálculo de cirurgia bem mais extensa.
- D)VEF1 ppo = 71% e DLCO ppo = 66%.
Errada: quase não há redução funcional, o que não condiz com a retirada de 3 segmentos pulmonares.
- E)VEF1 ppo = 39% e DLCO ppo = 36%.
Errada: também subestima demais a função prevista, como se houvesse perda de grande parte do parênquima pulmonar.
Gabarito: A
Na avaliação funcional pré-operatória de cirurgias pulmonares, a ideia é estimar quanto da função vai sobrar depois da ressecção. O cálculo mais usado, quando a remoção é anatômica e o pulmão remanescente está preservado, é por segmentos: o ppo corresponde ao valor pré-operatório multiplicado pela fração de segmentos que ficará no lugar. O pulmão costuma ser considerado com 19 segmentos funcionais no total. A lobectomia superior direita retira 3 segmentos, então permanecem 16 de 19. Em outras palavras, você não perde "metade do pulmão" nem faz conta no olho: faz a proporção certinha, porque concurso adora esse detalhe. Assim, para o VEF1: 75% x 16/19 = 63,1%, aproximadamente 63%. Para a DLCO: 70% x 16/19 = 58,9%, aproximadamente 59%. Como a neoplasia é periférica e não há alterações no restante do parênquima, usa-se essa estimativa anatômica direta, sem necessidade de ajustes mais complexos por heterogeneidade pulmonar. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Esse tipo de cálculo é clássico em pneumologia pré-operatória e aparece muito em provas quando querem ver se você domina a lógica de segmento removido versus função prevista residual.