Ao ECG, o paciente apresenta onda espiculada, estreita e simétrica, achatamento da onda P e complexo QRS alargado. Assinale a opção que indica o tratamento mais adequado.
- A)Gluconato de cálcio a 10%, por via IV, 1 a 2 mL/kg.
Certo: o gluconato de cálcio IV estabiliza a membrana miocárdica e é a medida imediata diante de hipercalemia com alteração no ECG.
- B)Reposição de KCl 10% com 0,4 mEq/kg/h por via IV, em 4h.
Errado: a reposição de KCl pioraria o quadro, pois o paciente já apresenta sinais de excesso de potássio.
- C)Aumentar a oferta de água livre em 2,5 mL/kg.
Errado: aumentar água livre não corrige a alteração elétrica nem trata a causa do traçado compatível com hipercalemia.
- D)Bolus de glicose 10%, 2 mL/kg.
Errado: glicose isolada não remove potássio nem estabiliza a membrana cardíaca; na hipercalemia, quando usada, a glicose vem associada à insulina.
- E)Sulfato de magnésio a 50%, 0,25 mEq/kg.
Errado: sulfato de magnésio é usado em outras situações, como torsades de pointes e hipomagnesemia, não para esse padrão de hipercalemia.
Gabarito: A
Esse ECG grita hipercalemia: onda T alta, espiculada e simétrica, achatamento da onda P e alargamento do QRS são sinais de que o potássio está “apertando os cabos” da condução cardíaca. Quando o quadro já mexe com o traçado, a prioridade não é apenas baixar o potássio, mas proteger o miocárdio imediatamente. É aí que entra o cálcio IV, que estabiliza a membrana e reduz o risco de arritmias fatais, como se colocasse um amortecedor no sistema elétrico do coração. Por isso, o tratamento mais adequado é o gluconato de cálcio a 10% por via intravenosa. Ele não remove o potássio do corpo, mas ganha tempo e evita que o coração “desande” enquanto você corrige a causa e faz as medidas para reduzir a calemia. Em prova, sempre que aparecer hipercalemia com alteração eletrocardiográfica, pense primeiro em estabilização cardíaca. Depois dessa etapa, entram outras condutas para deslocar o potássio para dentro da célula ou removê-lo do organismo, como insulina com glicose, beta-agonista, bicarbonato em situações selecionadas, resina ou diálise conforme a gravidade. Mas, neste enunciado, o foco é a proteção imediata do coração, e o cálcio é a medida clássica. Em resumo: ECG com T apiculada, P achatada e QRS largo = hipercalemia grave até prova em contrário, e o remédio de primeira linha para o risco elétrico é o cálcio IV.