Ao realizar um procedimento cirúrgico em um paciente com sorologia positiva para HIV num hospital privado, o médico cirurgião, contratado pelo hospital para trabalhar 20 horas semanais, feriu-se com o bisturi, promovendo um ferimento cortante num dos dedos da mão esquerda. Diante desse acidente de trabalho, deverão ser providenciados:
- A)a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e a quimioprofilaxia pós-exposição de risco para HIV para o médico cirurgião acidentado;
Errada, porque faltou a notificação compulsória no SINAN, que também é obrigatória nesse tipo de acidente com material biológico.
- B)a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), a quimioprofilaxia pós-exposição de risco para HIV e a vacinação contra hepatite B para o médico cirurgião acidentado;
Errada, porque a vacinação contra hepatite B pode ser indicada conforme o esquema vacinal do profissional, mas não substitui nem é o núcleo da conduta exigida na questão.
- C)a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), a notificação no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e a realização do teste de saliva para HIV no médico cirurgião acidentado;
Errada, porque teste de saliva para HIV não é o exame utilizado nessa situação; além disso, faltou a quimioprofilaxia pós-exposição.
- D)a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), a notificação no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e a quimioprofilaxia pós-exposição de risco para HIV para o médico cirurgião acidentado;
Certa, porque envolve CAT, notificação no SINAN e PEP para HIV após acidente ocupacional com exposição percutânea a fonte HIV positiva.
- E)a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), o afastamento por quinze dias do médico cirurgião acidentado e a realização do teste de saliva para HIV.
Errada, porque afastamento de quinze dias não é medida automática do caso, e teste de saliva para HIV não é o exame indicado para essa avaliação.
Gabarito: D
Acidente com material biológico em profissional de saúde tem roteiro bem conhecido na prova: primeiro, reconhecer que houve acidente de trabalho e emitir a CAT. Isso vale inclusive em hospital privado, porque o vínculo com o hospital e o nexo ocupacional existem, e a CAT é o documento previdenciário-laboral adequado. Depois, entrou sangue, ferimento perfurante e paciente-fonte com HIV positivo? Acende o alerta para a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV, que deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras horas, conforme os protocolos do Ministério da Saúde. Bisturi e corte em dedo, em cenário de fonte positiva, são exposição de risco real, não é caso de “lavar e seguir o plantão”. Além disso, acidentes com exposição a material biológico em trabalhadores da saúde são de notificação compulsória no SINAN, segundo a vigilância epidemiológica brasileira. Então, nesse tipo de caso, o pacote correto inclui CAT + notificação no SINAN + quimioprofilaxia pós-exposição para HIV. A alternativa D acerta exatamente isso. Ela combina a providência trabalhista/previdenciária, a providência epidemiológica e a medida clínica imediata. O resto das opções mistura coisas que parecem plausíveis, mas não fecham o protocolo.