Um adolescente previamente saudável está há 3 semanas com comportamento depressivo, irritadiço, com perda diária de interesse e prazer em todas as atividades. Ele tem apresentado distúrbio do apetite, do sono, só querendo ficar na cama, pois se diz “sem energia para tudo”. Não consegue se concentrar em nada, refere se sentir inútil e culpado e que vem pensando em se suicidar. Não tem saído de seu quarto nem tem ido à escola. Seu pediatra, com o qual tem bom vínculo, realizou consultas e exames complementares, e descartou uso de drogas ou doença orgânica. Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais DSM-5, o quadro é característico de transtorno
- A)depressivo maior leve.
Errada: o caso tem muitos sintomas, ideação suicida e prejuízo funcional importante, o que afasta a forma leve.
- B)depressivo persistente.
Errada: transtorno depressivo persistente exige curso crônico, geralmente por pelo menos 1 ano em adolescentes, e não 3 semanas.
- C)depressivo maior severo.
Certa: há episódio depressivo maior com múltiplos sintomas, ideação suicida e grande comprometimento social e escolar, caracterizando gravidade severa.
- D)depressivo maior moderado.
Errada: o quadro não é moderado, porque a intensidade e o impacto funcional são maiores, com isolamento e pensamento suicida.
- E)disruptivo da regulação do humor.
Errada: o transtorno disruptivo da regulação do humor é dominado por irritabilidade persistente e crises de raiva, não por episódio depressivo típico.
Gabarito: C
O quadro descrito é de episódio depressivo maior: humor deprimido e irritável, perda de interesse, alteração de sono e apetite, cansaço, dificuldade de concentração, sensação de inutilidade e culpa, além de ideação suicida, tudo por mais de 2 semanas. No DSM-5, em adolescentes, a apresentação pode vir com irritabilidade em vez de tristeza “clássica”, o que costuma confundir bastante. O ponto-chave aqui é a gravidade: não basta ter os sintomas, é preciso olhar o impacto funcional e a intensidade do quadro. Quando o paciente fica praticamente isolado, sem ir à escola, sem sair do quarto, sem energia para as atividades e ainda com pensamentos suicidas, o episódio é classificado como grave. Isso porque há muitos sintomas ao mesmo tempo e prejuízo importante no funcionamento social e escolar. A ideação suicida pesa bastante na avaliação da severidade. Já o transtorno depressivo persistente não cabe, porque ele exige duração crônica, em geral por pelo menos 1 ano em crianças e adolescentes, e não apenas 3 semanas. O transtorno disruptivo da regulação do humor também não é o caso, pois ele é marcado por irritabilidade persistente e explosões de raiva desproporcionais, não por um episódio depressivo típico. Então, pela combinação de sintomas nucleares, tempo mínimo de 2 semanas e prejuízo funcional intenso, o diagnóstico do DSM-5 é transtorno depressivo maior, severo.