Em uma criança com diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré, no diagnóstico diferencial devemos considerar as afecções listadas a seguir, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Exposição à hexacarbono.
Certa como diferencial, porque a exposição a hexacarbonos pode causar neuropatia periférica e fraqueza flácida.
- B)História recente de difteria.
Certa como diferencial, pois a difteria pode cursar com neuropatia e paresia após a infecção.
- C)Doença de Huntington.
Errada, porque a doença de Huntington é uma afecção neurodegenerativa crônica, não um quadro típico de neuropatia aguda como a SGB.
- D)Botulismo.
Certa como diferencial, já que o botulismo pode simular SGB com fraqueza descendente e acometimento neuromuscular.
- E)Metabolismo anormal da porfirina.
Certa como diferencial, porque alterações no metabolismo das porfirinas podem causar neuropatia e fraqueza.
Gabarito: C
A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia aguda, geralmente pós-infecciosa, que causa fraqueza progressiva, arreflexia e, em alguns casos, comprometimento respiratório. Em criança, o diagnóstico diferencial precisa incluir doenças que também causem fraqueza flácida aguda, neuropatia periférica ou acometimento neuromuscular, porque o quadro pode parecer muito com SGB no começo. Por isso, entram na lista intoxicações e doenças metabólicas ou infecciosas que podem dar neuropatia, como exposição a hexacarbonos, botulismo, difteria e alterações relacionadas ao metabolismo das porfirinas. Todas essas podem se apresentar com fraqueza e exame neurológico enganador, e fazem parte da abordagem clássica do diagnóstico diferencial. A exceção é a doença de Huntington. Ela é uma doença neurodegenerativa hereditária, com movimentos coréicos e alterações psiquiátricas/cognitivas, de instalação crônica e progressiva, e não um quadro típico de paralisia flácida aguda. Ou seja, ela não entra como diferencial de SGB nessa situação. É uma daquelas alternativas que parecem "neurológicas", mas estão em outro filme.