O tratamento da insuficiência cardíaca tem apresentado novidades que resultaram em melhora nos indicadores de hospitalização e mortalidade. Além dos medicamentos que atuam sobre o sistema renina-angiotensina, betabloqueadores e antagonistas mineralocorticoides, estudos mais recentes sugerem benefício no tratamento desses pacientes com o uso do seguinte grupo de medicamentos:
- A)esteroides;
Errada: esteroides não fazem parte do tratamento de insuficiência cardíaca e podem até piorar retenção hídrica.
- B)anticolinérgicos;
Errada: anticolinérgicos não têm papel terapêutico na insuficiência cardíaca e podem trazer efeitos cardiovasculares indesejáveis.
- C)diuréticos tiazídicos;
Errada: diuréticos tiazídicos podem ser usados em situações específicas de controle de volume, mas não são a novidade com impacto em mortalidade.
- D)novos anticoagulantes orais (NOACs);
Errada: os NOACs são anticoagulantes úteis em outras indicações, como fibrilação atrial, mas não tratam diretamente insuficiência cardíaca.
- E)inibidores do cotransportador-2 de sódio-glicose.
Certa: os inibidores de SGLT2 trouxeram redução de hospitalizações e benefício em mortalidade na insuficiência cardíaca, inclusive além do diabetes.
Gabarito: E
A insuficiência cardíaca mudou bastante de cara nos últimos anos. Antes, o foco ficava quase todo em medicamentos que modulam o sistema renina-angiotensina, como IECA, BRA ou ARNI, além de betabloqueadores e antagonistas mineralocorticoides. Esses ainda são a base do tratamento, mas novas drogas passaram a entrar no jogo com impacto real em hospitalização e mortalidade. Entre essas novidades, os inibidores do cotransportador-2 de sódio-glicose (SGLT2), como dapagliflozina e empagliflozina, ganharam destaque. Embora tenham surgido como antidiabéticos, estudos clínicos mostraram benefício em insuficiência cardíaca, inclusive em pacientes sem diabetes, reduzindo desfechos como internação por descompensação e morte cardiovascular. O mecanismo não é só "baixar glicose". Esses fármacos ajudam na natriurese, na redução de congestão e em efeitos hemodinâmicos e metabólicos que favorecem o coração. Por isso, hoje eles fazem parte do tratamento moderno da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e também têm papel crescente em outros perfis de pacientes. Assim, o gabarito é a alternativa E. É exatamente o grupo que as evidências mais recentes incorporaram ao tratamento da insuficiência cardíaca, somando benefício clínico ao esquema clássico. Em prova, quando a banca fala em novidade com redução de hospitalização e mortalidade, pense logo em SGLT2.