Com relação aos tumores astrocíticos, assinale a afirmativa correta
- A)A variante protoplasmática é a mais comum dos astrocitomas de baixo grau.
Errada: a variante mais comum dos astrocitomas de baixo grau é a fibrilar, não a protoplasmática.
- B)A presença de mais de 20% de células gemistocíticas indica perfil mais agressivo, mesmo que o índice mitótico seja baixo (< 4%).
Certa: mais de 20% de células gemistocíticas sugere comportamento mais agressivo, mesmo com baixo índice mitótico.
- C)Astrocitomas difusos fibrilares costumam apresentar hipercelularidade em relação ao parênquima normal, com limites nítidos entre a neoplasia e o tecido cerebral.
Errada: os astrocitomas difusos fibrilares são infiltrativos e geralmente têm limites mal definidos, não nítidos.
- D)Astrocitomas anaplásicos ocorrem em faixa etária mais avançada, em geral após os 55 anos de idade, e áreas de alto e baixo grau são facilmente diferenciáveis já na macroscopia.
Errada: o anaplásico tende a ocorrer em adultos e pode ser menos delimitado na macroscopia, mas a faixa etária e a separação macroscópica descritas estão inadequadas.
- E)Astrocitomas anaplásicos apresentam intensa proliferação vascular com muitas áreas de necrose no seu interior.
Errada: proliferação vascular intensa e muitas áreas de necrose são achados típicos de glioblastoma, não do astrocitoma anaplásico.
Gabarito: B
Os tumores astrocíticos costumam ser cobrados pela cara que eles fazem na histologia: alguns são mais “moles” e infiltrativos, outros já trazem sinais de agressividade. Nos astrocitomas difusos de baixo grau, o padrão clássico é o fibrilar, que infiltra o parênquima sem criar limites nítidos com o tecido normal, justamente porque ele se mistura ao cérebro em vez de formar uma bolha bem separada. Já a variante gemistocítica chama atenção porque, quando representa mais de 20% da população tumoral, costuma apontar para comportamento mais agressivo, mesmo que o índice mitótico ainda esteja baixo. Em outras palavras: não basta olhar só a velocidade de divisão celular; a composição celular também pesa no prognóstico. Esse é o tipo de detalhe que a banca adora transformar em armadilha elegante. Nos astrocitomas anaplásicos, o quadro é de maior malignidade, com hipercelularidade, atipias e maior atividade proliferativa, mas sem os critérios clássicos de glioblastoma, como necrose em pseudopaliçada e proliferação vascular exuberante. Quando esses achados aparecem de forma marcante, a suspeita já sobe de patamar. Portanto, a alternativa B está correta porque a presença de mais de 20% de células gemistocíticas é reconhecida como marcador de pior prognóstico, independentemente de o índice mitótico ser baixo. Em provas, isso costuma ser cobrado com base nos critérios histopatológicos tradicionais e na classificação da OMS para tumores do SNC.