A sepse e o choque séptico são situações de elevada letalidade. No Brasil, segundo o Instituto Latino Americano de Sepse, as letalidades, em 2020, foram, respectivamente, de 24,3% e 61,6%. Segundo os dados, as afirmativas a seguir estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Em função da gravidade da situação, na escolha do antibiótico empírico não devemos considerar as características clínicas do paciente, a história epidemiológica e a presença de disfunção renal e hepática.
Errada, porque a escolha empírica do antibiótico deve considerar quadro clínico, epidemiologia, foco infeccioso e função renal/hepática para ajuste de cobertura e dose.
- B)Os principais focos são pneumonia, infecção urinária e sepse abdominal.
Certa, pois pneumonia, infecção urinária e infecção abdominal estão entre os focos mais frequentes de sepse.
- C)A antibiótico-terapia deve ser iniciada com dose plena, por via endovenosa, respeitando-se os intervalos apropriados.
Certa, porque o antibiótico na sepse deve ser iniciado por via endovenosa, em dose plena inicial e com intervalos adequados.
- D)Deve ser considerada também a resistência local aos antimicrobianos.
Certa, já que o padrão de resistência local orienta a escolha do esquema empírico mais apropriado.
- E)A adesão ao protocolo de sepse, com administração de antibiótico empírico adequado, tem papel central na redução da letalidade.
Certa, pois adesão rápida ao protocolo de sepse e uso de antibiótico empírico adequado reduzem mortalidade.
Gabarito: A
Na sepse e no choque séptico, o tempo faz diferença: quanto antes você reconhece o quadro e inicia antibiótico adequado, melhor o prognóstico. Por isso, a escolha do esquema empírico não é feita no escuro, nem no susto: ela precisa levar em conta o foco suspeito, os germes mais prováveis, a epidemiologia local e as condições do paciente, como função renal e hepática. Aqui está o ponto-chave da questão: a alternativa A está errada porque diz exatamente o contrário do que se faz na prática. Em sepse, você deve sim considerar características clínicas, história epidemiológica, origem da infecção e disfunções orgânicas para escolher o antimicrobiano e ajustar dose e intervalo. Isso é coerente com as diretrizes de manejo de sepse, que reforçam antibiótico precoce, na dose correta e com cobertura compatível com o cenário clínico. As demais afirmativas estão alinhadas com a conduta padrão: os focos mais comuns incluem pneumonia, infecção urinária e abdome; a antibioticoterapia deve ser endovenosa, com dose plena inicial; e a resistência local precisa entrar na conta. Em sepse, acertar o antibiótico empírico e aderir ao protocolo salva tempo e, muitas vezes, salva vida.