Paciente 40 anos, portadora de mutação patogênica de BRCA 1 realizou diagnóstico de câncer de mama tipo não especial triplo negativo T2N0 (nódulo de 3,8 cm no maior eixo) a esquerda. Sobre o caso, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Paciente tem indicação de quimioterapia neoadjuvante
Certa, porque tumores triplo negativos maiores que 2 cm geralmente têm indicação de quimioterapia neoadjuvante.
- B)Paciente pode escolher realizar adenomastectomia bilateral com biópsia de linfonodo sentinela a esquerda após tratamento com quimioterapia neoadjuvante mesmo com resposta radiológica completa.
Certa, pois a paciente pode optar por mastectomia/adenomastectomia bilateral após neoadjuvância, com abordagem axilar do lado acometido, mesmo havendo resposta radiológica completa.
- C)É possível realizar a cirurgia conservadora com biópsia de linfonodo sentinela se esse for o desejo da paciente após quimioterapia neoadjuvante, se a relação entre o volume mamário e o volume tumoral residual for favorável.
Certa, porque cirurgia conservadora com biópsia de linfonodo sentinela é possível após neoadjuvância se a resposta e a relação tumor-mama permitirem.
- D)Devemos realizar ressonância mamária previamente ao ínicio do tratamento sistêmico neoadjuvante
Certa, pois a ressonância mamária antes do início do tratamento neoadjuvante ajuda no estadiamento local e no planejamento cirúrgico.
- E)Paciente pode escolher realizar adenomastectomia bilateral com biopsia de linfonodo sentinela bilateral, após tratamento com quimioterapia neoadjuvante, mesmo com resposta radiológica completa.
Errada, porque a biópsia de linfonodo sentinela bilateral não é conduta padrão nesse contexto; a avaliação sentinela deve ser direcionada ao lado com câncer, e não feita de rotina no lado contralateral.
Gabarito: E
Em câncer de mama triplo negativo com tumor de 3,8 cm, a ideia central é não sair direto para a mesa de cirurgia como se nada tivesse acontecido. Em geral, há indicação de quimioterapia neoadjuvante, porque isso ajuda a reduzir o tumor, avaliar resposta e orientar melhor o prognóstico. Em paciente jovem e com mutação patogênica de BRCA1, essa estratégia costuma ser ainda mais valorizada. Antes de começar o tratamento sistêmico, a ressonância mamária é muito útil para mapear a extensão da doença, especialmente em tumores agressivos e em pacientes com maior chance de doença multifocal ou multicêntrica. Não é um ritual decorativo da oncologia: ela pode mudar o planejamento cirúrgico depois. Depois da quimioterapia neoadjuvante, a paciente pode sim discutir o tipo de cirurgia com a equipe, inclusive cirurgia conservadora ou mastectomia/adenomastectomia bilateral, dependendo do desejo, da resposta ao tratamento e da relação entre o volume tumoral residual e o volume mamário. O ponto-chave é que a cirurgia deve ser oncologicamente segura e alinhada com a escolha da paciente. O erro da alternativa E está em propor biópsia de linfonodo sentinela bilateral como se isso fosse rotina após adenomastectomia bilateral. O linfonodo sentinela é indicado para estadiar a axila do lado do tumor; do lado contralateral, sem doença suspeita, a avaliação sentinela não é padrão. Em outras palavras: a parte oncológica do lado do câncer faz sentido, mas “espelhar” a biópsia para o outro lado não é conduta habitual.