Em relação à artrite séptica neonatal, assinale a afirmativa correta.
- A)O organismo mais frequentemente envolvido é a Neisseria gonorrhoeae.
Errada, porque Neisseria gonorrhoeae é causa típica de artrite séptica em adolescentes e adultos jovens sexualmente ativos, não a mais comum no período neonatal.
- B)A maioria dos pacientes não apresenta febre, toxemia ou leucocitose.
Certa, pois o quadro neonatal frequentemente é paucissintomático, com pouca ou nenhuma febre, toxemia ou leucocitose, o que dificulta o diagnóstico precoce.
- C)Os pacientes, em geral, têm evolução crônica e benigna.
Errada, porque a artrite séptica neonatal é uma urgência e pode evoluir com destruição articular e sequelas, não com curso crônico e benigno.
- D)A articulação mais comumente envolvida nessa faixa etária é o ombro.
Errada, porque a articulação mais acometida no neonato costuma ser o quadril, seguida do ombro em alguns casos, e não o ombro como regra mais comum.
- E)Raramente se observa osteomielite de fêmur ou pelve concomitante à artrite de quadril.
Errada, porque é relativamente comum haver osteomielite associada, especialmente no quadril, com acometimento de fêmur e pelve por contiguidade.
Gabarito: B
A artrite séptica neonatal é uma infecção ortopédica grave e, nos recém-nascidos, costuma ser mais “silenciosa” do que dramática. Em vez de febre alta e quadro exuberante, o bebê pode ter irritabilidade, recusa para movimentar o membro, pseudoparalisia e poucos sinais sistêmicos, o que atrasa o diagnóstico. Isso acontece porque o sistema imune ainda é imaturo e a apresentação clínica pode ser bem pouco chamativa. O ponto mais importante é lembrar que, nessa faixa etária, a artrite séptica costuma vir associada a osteomielite, especialmente em articulações próximas a metáfises, como o quadril e o ombro. O agente varia com a idade e o contexto neonatal, com destaque para Staphylococcus aureus e estreptococos do grupo B, além de bacilos gram-negativos em alguns casos. Neisseria gonorrhoeae é mais lembrada em adolescentes sexualmente ativos, não em neonatos. O gabarito está na alternativa B porque, na prática, a maioria dos recém-nascidos com artrite séptica realmente não apresenta a tríade clássica de febre, toxemia e leucocitose. Ou seja, se você esperar o bebê “com cara de infecção grave”, pode perder o diagnóstico. Em pediatria, o sinal muitas vezes é a limitação de movimento, e não a febre desfilando com holofotes. Por isso, diante de um recém-nascido com pseudoparalisia, dor à mobilização e suspeita infecciosa, a conduta deve ser rápida, com investigação por imagem, hemoculturas e punção articular quando indicada, porque o atraso aumenta risco de destruição articular e sequelas.