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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 63 anos, quinto dia de pós-operatório de cirurgia cardíaca para revascularização miocárdica. Radiografia de tórax de controle revelou volumoso derrame pleural à esquerda. A despeito do volumoso derrame pleural, o paciente segue em bom estado geral, está afebril e apresenta exames laboratoriais dentro da normalidade. Toracocentese diagnóstica revelou líquido pleural leitoso e espesso. Assinale a opção que indica a principal hipótese diagnóstica e o exame capaz de esclarecer a suspeita clínica, respectivamente.

Gabarito: A

Depois de cirurgia cardíaca, um derrame pleural volumoso com líquido leitoso e espesso acende uma luz bem característica: pense em quilotórax. Isso acontece quando há lesão ou obstrução do ducto torácico, permitindo vazamento de quilo para o espaço pleural. O contexto pós-operatório é clássico, e a aparência leitosa já é uma pista forte, mas não fecha sozinha o diagnóstico. O exame que mais ajuda a confirmar a suspeita é a dosagem de triglicerídeos no líquido pleural. Em geral, valores elevados de triglicerídeos no líquido pleural favorecem muito quilotórax, e a presença de quilomícrons pode confirmar quando necessário. Como o líquido tem aspecto gorduroso, a ideia é provar que existe gordura intestinal no derrame, e não apenas um líquido turvo qualquer. O paciente estar afebril, em bom estado geral e com exames laboratoriais normais também joga contra infecção pleural. Empiema costuma vir com toxemia, febre, dor, piora clínica e líquido purulento, não simplesmente leitoso. Pseudoquilotórax existe, mas é típico de derrames crônicos, com colesterol alto e curso bem diferente do cenário agudo pós-cirúrgico. Então o raciocínio é simples: pós-operatório de cirurgia cardíaca + derrame pleural leitoso = suspeite de quilotórax, e confirme com triglicerídeos no líquido pleural. A banca adora esse tipo de associação clínica direta, sem rodeios.

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