Com relação aos aneurismas da aorta torácica, assinale a afirmativa correta.
- A)Os aneurismas da aorta ascendente sintomáticos, em expansão aguda ou maiores que 55mm de diâmetro nos pacientes com Síndrome de Marfan, tem indicação de tratamento cirúrgico.
Correta: aneurisma sintomático, em expansão aguda ou maior que 55 mm em paciente com Síndrome de Marfan tem indicação cirúrgica.
- B)Os aneurismas da aorta torácica descendente tem indicação de tratamento cirúrgico quando acima de 30mm de diâmetro.
Errada: aneurisma da aorta torácica descendente não tem indicação cirúrgica a partir de 30 mm, que é um valor muito abaixo do usual.
- C)Quando houver indicação de troca valvar aórtica por estenose ou insuficiência, um aneurisma concomitante de aorta ascendente, só terá indicação de reparo cirúrgico quando for maior que 60mm de diâmetro.
Errada: se houver indicação de troca valvar aórtica, o reparo da aorta ascendente costuma ser considerado em diâmetros menores, não apenas acima de 60 mm.
- D)A utilização de endo-próteses nos aneurismas da aorta ascendente é feita de forma sistemática quando não há insuficiência aórtica.
Errada: endoprótese na aorta ascendente não é feita de forma sistemática, e ainda há limitações técnicas importantes, inclusive pela valva aórtica.
- E)O acometimento do arco aórtico inviabiliza qualquer proposta de abordagem cirúrgica.
Errada: o acometimento do arco aórtico não inviabiliza a abordagem cirúrgica, pois existem técnicas específicas para essa topografia.
Gabarito: A
Os aneurismas da aorta torácica exigem atenção porque o risco não é só o tamanho, mas também a velocidade de crescimento, os sintomas e o contexto clínico. Em geral, a decisão cirúrgica na aorta ascendente é mais precoce do que em outras porções, especialmente em síndromes do tecido conjuntivo, como a Síndrome de Marfan, nas quais a parede arterial é mais frágil. Na aorta ascendente, aneurisma sintomático, em expansão aguda ou com diâmetro acima de 55 mm em paciente com Marfan costuma indicar correção cirúrgica. Isso acontece porque o risco de dissecção ou ruptura sobe bastante nessas situações, e a conduta deixa de ser observadora para ser preventiva. Em linguagem de prova: parede ruim + crescimento rápido + diâmetro grande = cirurgia na mesa. A lógica das diretrizes também muda quando há outra cirurgia cardíaca planejada, como troca valvar aórtica. Nesses casos, o cirurgião aproveita o acesso e costuma tratar a aorta ascendente em diâmetros menores do que faria isoladamente. Por isso, a alternativa C erra ao usar 60 mm, porque o limiar indicado não é tão alto quando já existe indicação de intervenção valvar. Outro ponto: endoprótese na aorta ascendente ainda não é conduta sistemática, e o arco aórtico não “proíbe” cirurgia. Existem estratégias cirúrgicas e híbridas para acometimento do arco, então a banca tenta te assustar com uma frase absoluta, mas medicina raramente gosta de palavras como "nunca" e "sempre". Aqui, a correta é a letra A, em linha com a prática descrita nas diretrizes de doença da aorta.