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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 26 anos atendido na emergência com quadro clínico de apendicite aguda foi submetido à apendicectomia, sem intercorrências durante a cirurgia. O laudo histopatológico da peça enviada para análise demonstrou apendicite aguda e tumor carcinoide de 2,3 cm no meio do apêndice cecal. Não foram identificadas outras lesões locais, metastáticas ou comprometimento linfonodal. Neste caso, a próxima conduta será

Gabarito: D

O tumor neuroendócrino do apêndice, que muita gente ainda chama de carcinoide, costuma ser um achado incidental depois da apendicectomia. A conduta depois do laudo depende principalmente do tamanho do tumor, da localização, do grau histológico e da presença de invasão local ou metástases. Em tumores pequenos, a cirurgia feita na emergência pode ser suficiente. Mas quando a lesão passa de 2 cm, o risco de doença residual e de disseminação linfonodal sobe bastante. Neste caso, o tumor mede 2,3 cm, ou seja, ficou acima do ponto de corte clássico de 2 cm. Mesmo sem linfonodos comprometidos ou metástases visíveis, o tamanho sozinho já indica necessidade de ampliação cirúrgica com hemicolectomia direita, para garantir ressecção oncológica adequada e linfadenectomia regional. É o tipo de situação em que o apêndice já fez o trabalho, mas a oncologia pede "revisão de obra". Esse raciocínio é o que costuma ser cobrado nas provas: tumor apendicular neuroendócrino menor que 1 cm, em geral, fica em observação após apendicectomia; entre 1 e 2 cm, a decisão pode depender de fatores de risco; acima de 2 cm, a indicação de hemicolectomia direita é a regra. Esse é o entendimento consolidado em diretrizes de cirurgia oncológica e gastroenteropancreática, usado de forma ampla na prática e nas provas. Portanto, a próxima conduta é hemicolectomia direita, porque o tumor tem 2,3 cm, ultrapassando o limite que muda a abordagem de conservadora para cirurgia mais ampla.

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