Sobre os pacientes que estão utilizando inibidores de fosfodiesterase, assinale a opção que indica a situação em que é necessária a redução da dose do medicamento, para diminuir o risco de toxicidade.
- A)Naqueles que estão utilizando rifampicina.
Errada, porque a rifampicina é indutora enzimática e tende a reduzir a concentração do medicamento, o que leva mais a falha terapêutica do que a toxicidade.
- B)Naqueles que estão utilizando nitratos.
Errada, porque nitratos são contraindicados com inibidores de fosfodiesterase pelo risco de hipotensão importante, não por necessidade de ajuste de dose.
- C)Naqueles com retinite pigmentar.
Errada, porque retinite pigmentar é uma condição que exige cautela em alguns casos, mas não é a situação clássica de redução de dose por toxicidade por interação medicamentosa.
- D)Naqueles que tiveram um infarto agudo do miocárdio 2 meses atrás.
Errada, porque infarto agudo do miocárdio recente é uma situação de restrição/contraindicação em muitos pacientes, mas não o cenário de ajuste de dose por interação farmacocinética.
- E)Naqueles que estão utilizando cetoconazol.
Certa, porque o cetoconazol inibe fortemente a CYP3A4, aumenta os níveis dos inibidores de fosfodiesterase e exige redução da dose para evitar toxicidade.
Gabarito: E
Os inibidores de fosfodiesterase, como sildenafil, tadalafil e vardenafil, são muito usados para disfunção erétil e também em outras situações, e o ponto-chave aqui é lembrar que eles são metabolizados principalmente pela via do citocromo P450, especialmente a CYP3A4. Quando essa via é bloqueada, o remédio fica mais tempo circulando, a concentração sobe e o risco de toxicidade aumenta. Aí entra a ideia da questão: se houver um inibidor enzimático forte, você precisa reduzir a dose do PDE para não exagerar no efeito. É exatamente o que acontece com o cetoconazol, um antifúngico clássico e forte inibidor da CYP3A4. Por isso, em quem usa cetoconazol, a dose do inibidor de fosfodiesterase deve ser reduzida. Esse é um raciocínio farmacológico bem cobrado em prova: se a eliminação cai, a exposição sobe, e a dose precisa acompanhar essa mudança. Vale separar bem isso de outras combinações famosas. Com nitratos, o problema não é ajuste de dose: a associação é contraindicada pelo risco de hipotensão grave. Já rifampicina faz o oposto do cetoconazol, porque induz enzimas e tende a reduzir níveis do fármaco, podendo diminuir eficácia. Ou seja, não é cenário de redução por toxicidade, e sim de perda de efeito. Em resumo: quando a banca fala em "reduzir a dose para diminuir toxicidade", pense em inibidor enzimático forte. O cetoconazol é o nome que acende essa lâmpada. É farmacologia aplicada do jeito que a prova gosta.