Em relação às complicações no pós-operatório da cirurgia de Fontan, assinale a afirmativa correta.
- A)Derrame pleural, quando ocorre, não tem relação com a pressão nas artérias pulmonares.
Errada: o derrame pleural no Fontan se relaciona, sim, com a hemodinâmica da circulação e com a pressão venosa/pulmonar.
- B)A bronquite plástica é uma complicação tardia muito comum, grave e de difícil manejo.
Errada: a bronquite plástica pode ocorrer, mas não é uma complicação tardia muito comum; é rara, embora grave e difícil de manejar.
- C)A enteropatia perdedora de proteínas tem etiologia multifatorial e aumenta muito o risco de sepse.
Certa: a enteropatia perdedora de proteínas no Fontan é multifatorial e aumenta o risco de infecção e sepse por perda proteica e imunológica.
- D)Pode existir disfunção ventricular diastólica mesmo com boa função sistólica; quando ocorre não há influência sobre a pressão pulmonar.
Errada: pode haver disfunção diastólica mesmo com boa fração de ejeção, e isso influencia a circulação e a pressão pulmonar/venosa.
- E)Na falência da circulação de Fontan é necessário administrar diuréticos em altas doses.
Errada: na falência da circulação de Fontan, diurético pode ser usado, mas não existe regra de que sempre se deva administrar em altas doses.
Gabarito: C
A cirurgia de Fontan é usada nas cardiopatias congênitas em que existe um único ventrículo funcional. A ideia é fazer o sangue venoso chegar aos pulmões sem passar por um ventrículo direito, mas isso cobra um preço: a circulação fica muito dependente de baixa resistência vascular pulmonar e de bom enchimento ventricular. Por isso, qualquer aumento da pressão venosa ou da resistência pulmonar pode bagunçar o sistema inteiro. No pós-operatório e no seguimento, as complicações clássicas incluem derrame pleural, arritmias, trombose, disfunção ventricular, enteropatia perdedora de proteínas e bronquite plástica. O ponto central é entender que a circulação de Fontan não tolera bem elevação da pressão venosa sistêmica, e isso se traduz em edema, efusões e congestão linfática. Ou seja: aqui tudo é muito sensível a pressão e fluxo, como uma encanação que funciona no limite. A alternativa C está correta porque a enteropatia perdedora de proteínas tem etiologia multifatorial, envolvendo aumento da pressão venosa, alterações linfáticas e inflamação intestinal, e isso favorece perda de imunoglobulinas e proteínas plasmáticas. Com menos proteínas e imunidade humoral comprometida, o risco de infecções graves, inclusive sepse, aumenta bastante. Em linguagem de prova, lembre: quando a questão falar de Fontan, pense em fisiologia de baixa pressão, dependência do leito pulmonar e complicações por congestão venosa/linfática. A banca gosta de trocar causa por consequência e dizer que algo comum ou independente da hemodinâmica, mas no Fontan quase tudo conversa com a pressão do circuito.