Mulher de 65 anos relata fraqueza muscular à direita e dificuldade para caminhar que duraram por trinta minutos e regrediram. A tomografia computadorizada de crânio não evidenciou hemorragia ou área de necrose. No momento não mais apresenta o déficit motor descrito. Dentre as alternativas abaixo, a conduta adequada para esta paciente é:
- A)iniciar warfarin ou outro anticoagulante por via oral;
Errada: anticoagulante oral não é a conduta inicial no AIT sem evidência de fonte cardioembólica, como fibrilação atrial.
- B)referenciar o paciente para estudo angiográfico e trombólise;
Errada: trombólise é para AVC isquêmico agudo com déficit persistente e janela terapêutica, não para déficit já resolvido.
- C)solicitar ultrassonografia das artérias carótidas e iniciar antiplaquetário;
Certa: o quadro é compatível com AIT, exigindo investigação de carótidas e início de antiplaquetário para prevenção secundária.
- D)administrar aspirina e dipiridamol e referenciar para endarterectomia carotídea;
Errada: aspirina e dipiridamol podem ser usados em prevenção, mas endarterectomia só é indicada após confirmar estenose carotídea significativa.
- E)transferir o paciente para unidade de tratamento intensivo e iniciar heparina de baixo peso molecular.
Errada: heparina de baixo peso molecular e UTI não são rotina no AIT estável sem deficiência neurológica atual ou outra indicação específica.
Gabarito: C
O quadro descreve um ataque isquêmico transitório (AIT): déficit neurológico focal que dura pouco, regride completamente e não deixa lesão aguda visível na tomografia. Em neurologia, isso acende um alerta importante porque o AIT pode ser o "aviso" de um AVC isquêmico em breve, então a conduta não é observar com calma demais, e sim investigar e prevenir recorrência. Como a tomografia não mostrou hemorragia, o próximo passo é pensar em causa isquêmica e em prevenção secundária. Em uma paciente com sintomas de território carotídeo, faz sentido solicitar ultrassonografia das carótidas para pesquisar estenose aterosclerótica e iniciar antiagregante plaquetário, reduzindo o risco de novo evento tromboembólico. A FGV costuma cobrar a lógica prática: AIT não é caso de trombólise, porque o déficit já regrediu e não há síndrome ictal em curso; também não se inicia anticoagulação oral ou heparina sem indicação específica, como fibrilação atrial documentada ou outra fonte cardioembólica. O foco aqui é identificar a fonte do evento e proteger o paciente do próximo AVC. Se houver estenose carotídea sintomática importante, a investigação pode levar a tratamento intervencionista, mas isso vem depois da avaliação vascular. Portanto, a conduta inicial correta é estudar as carótidas e iniciar antiplaquetário.