Paciente jovem deu entrada no pronto-socorro com quadro de dor abdominal em barra com irradiação dorsal, acompanhado de vômitos e distensão abdominal. Após o atendimento inicial, analgesia, antiemético e hidratação venosa, foi realizado exame laboratorial que evidenciou amilase de 895 UI/L, lipase 3225 UI/L, bilirrubina total de 4,6 mg/dL e direta de 3,3 mg/dL. Foi realizada tomografia computadorizada que diagnosticou pancreatite aguda caracterizada por aumento difuso do pâncreas, com aspecto edematoso e borramento da gordura peri pancreática. A investigação por imagem foi complementada por colangioressonância que evidenciou vesícula biliar com microcálculos e lama biliar e vias biliares discretamente aumentadas sem falhas de enchimento. Após 48 horas a paciente encontrava-se sem dor e com novo laboratório: amilase de 250 UI/L, lipase 840 UI/L, bilirrubina total de 1,6 mg/dL e direta de 1,2 mg/dL. Diante desse quadro, assinale a opção que indica a melhor conduta.
- A)Colecistectomia videolaparoscópica com colangiografia na mesma internação.
Certa: pancreatite biliar leve, com melhora clínica e laboratorial, pede colecistectomia na mesma internação para prevenir recorrência.
- B)Colecistectomia videolaparoscópica com colangiografia após 90 dias da alta.
Errada: adiar a colecistectomia por 90 dias aumenta o risco de nova crise biliar e não é a melhor conduta na pancreatite leve.
- C)Realização imediata de Colangio pancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) com papilotomia e colecistectomia após a alta.
Errada: CPRE imediata só é indicada se houver colangite ou obstrução biliar persistente, o que não ficou demonstrado aqui.
- D)CPRE com papilotomia seguida de colecistectomia videolaparoscópica na mesma internação.
Errada: também erra ao indicar CPRE sem critério, já que a colangiorressonância não mostrou falha de enchimento nem cálculo impactado.
- E)Colecistectomia videolaparoscópica associada à coledocostomia a Kehr na mesma internação.
Errada: coledocostomia a Kehr não é a estratégia de rotina nesse cenário; fica reservada para situações específicas de via biliar principal.
Gabarito: A
O quadro é de pancreatite aguda biliar: dor em barra irradiando para dorso, enzimas pancreáticas bem elevadas e imagem mostrando edema pancreático com sinais de doença biliar por microlitíase/lama. Nesse cenário, o ponto central é tratar a causa para evitar nova crise. Quando a pancreatite aguda biliar é leve, o paciente melhora clinicamente e não há evidência de obstrução biliar persistente ou colangite, a conduta é colecistectomia videolaparoscópica ainda na mesma internação, idealmente após a resolução da fase aguda. Isso reduz muito a chance de recorrência precoce, que é exatamente o tipo de surpresa desagradável que o pâncreas adora aprontar.