Sobre a Encefalomielite Disseminada Aguda (ADEM), doença desmielinizante inflamatória, que deve fazer parte do diagnóstico diferencial das encefalopatias na UTI, assinale a afirmativa correta.
- A)A forma mais frequente é a multifásica.
Errada, porque a ADEM é classicamente monofásica; formas multifásicas existem, mas não são as mais frequentes.
- B)A maioria das crianças não se recupera, ficando com déficit neurológico grave.
Errada, porque muitas crianças evoluem com boa recuperação funcional, embora alguns casos deixem sequelas.
- C)A presença de anticorpos anti-MOG no líquido céfaloraquidiano é positivo em todos os casos.
Errada, porque anti-MOG pode estar presente em parte dos casos, mas não em todos, e o líquor não é universalmente positivo.
- D)Na maioria dos casos, o agente infeccioso, que causa a reação inflamatória, não é isolado nas vias aéreas.
Certa, porque a ADEM geralmente é uma resposta imunomediada pós-infecciosa e o agente desencadeante, na maioria das vezes, já não é isolado nas vias aéreas.
- E)A RNM é o método diagnóstico indicado, que mostra lesões difusas e grandes na substância cinzenta.
Errada, porque a RM é o exame indicado, mas as lesões típicas são multifocais e grandes, predominando na substância branca, não na substância cinzenta isoladamente.
Gabarito: D
A Encefalomielite Disseminada Aguda (ADEM) é uma doença inflamatória desmielinizante, em geral monofásica, que costuma aparecer depois de uma infecção viral ou, menos frequentemente, após vacinação. O quadro clássico mistura encefalopatia, febre, cefaleia, alteração do nível de consciência e déficits neurológicos focais, o que faz a doença entrar no radar da UTI quando a encefalopatia não fecha com causas metabólicas ou infecciosas comuns. Na prática, o raciocínio é: houve um gatilho imunológico recente, e o sistema imune passa a atacar a mielina do SNC. Por isso, na maioria dos casos, o microrganismo desencadeante já não está sendo isolado no momento do quadro neurológico, inclusive em amostras de vias aéreas. A lesão é pós-infecciosa, não uma infecção ativa do encéfalo em si. A ressonância magnética é o exame de escolha e costuma mostrar lesões multifocais, grandes e mal delimitadas, geralmente na substância branca, podendo também acometer substância cinzenta profunda. O líquor pode mostrar pleocitose e hiperproteinorraquia, mas não existe um achado laboratorial isolado que feche o diagnóstico sozinho. Anticorpos anti-MOG podem aparecer em parte dos casos, porém não são positivos em todos. Por isso, a alternativa D está correta: na maioria dos casos, o agente infeccioso que disparou a resposta inflamatória já não é isolado nas vias aéreas. É um cenário de pós-infecção, quase um "efeito rebote" imunológico, e não de presença direta do agente causando a lesão neurológica.