Mulher de 26 anos procura unidade de pronto atendimento com cefaleia e hemiparesia esquerda há algumas horas. Há três meses vem referindo episódios de dor e edema nas articulações de punhos, joelhos e tornozelos. Exames realizados na urgência mostraram leucopenia, VHS de 45 mm na 1ª hora, ureia e creatinina séricas normais. Para definir o diagnóstico da paciente, o médico que a atendeu solicitou a tomografia computadorizada do crânio, titulação do fator antinuclear
- A)fator reumatoide;
Fator reumatoide sugere mais artrite reumatoide, não explica o quadro neurológico nem a suspeita de trombose no lúpus.
- B)anti-DNA, p-ANCA, C3 e C4;
Anti-DNA e C3/C4 ajudam a avaliar atividade do LES, mas p-ANCA aponta para vasculite ANCA-associada, que não é a principal hipótese aqui.
- C)anti-Sm, C3, C4 e anti-P ribossomal;
Anti-Sm e C3/C4 podem apoiar LES, mas anti-P ribossomal se relaciona mais a manifestação neuropsiquiátrica difusa do lúpus, não ao diagnóstico de trombose/AVC suspeitado na questão.
- D)pesquisa de células LE, anti-SSA/Ro e anti-SSB/La;
Células LE e anti-SSA/Ro e anti-SSB/La são mais lembrados em síndromes de Sjögren e lupus neonatal, e não explicam bem o evento neurológico trombótico.
- E)dosagens de C3, C4, anticardiolipina e anticoagulante lúpico.
Correta, porque C3 e C4 avaliam atividade do lúpus e anticardiolipina mais anticoagulante lúpico pesquisam síndrome antifosfolípide, causa de AVC em mulher jovem com LES.
Gabarito: E
O quadro aponta para lúpus eritematoso sistêmico: mulher jovem, artralgia inflamatória em várias articulações, leucopenia e VHS elevado, agora com cefaleia e hemiparesia, o que faz pensar em acometimento neurológico vascular. Em lúpus, isso pode acontecer por vasculite, trombose ou evento isquêmico associado à síndrome antifosfolípide, que é uma complicação muito importante e bem cobrada em prova. Quando a questão mistura sinais de atividade inflamatória sistêmica com déficit neurológico focal, o raciocínio costuma caminhar para pesquisar anticorpos antifosfolípides. A síndrome antifosfolípide é ligada a tromboses arteriais e venosas e pode dar AVC em paciente jovem, além de perdas gestacionais e plaquetopenia. Aqui, a ureia e a creatinina normais não afastam o diagnóstico, porque o problema central da pergunta é a suspeita de fenômeno trombótico no contexto de LES. Por isso, a solicitação de C3, C4, anticardiolipina e anticoagulante lúpico faz sentido: C3 e C4 ajudam a avaliar atividade do lúpus, e anticardiolipina mais anticoagulante lúpico investigam a síndrome antifosfolípide. Em prova, essa combinação é praticamente o pacote clássico quando o lúpus vem com evento neurológico ou trombose. O gabarito E está correto porque une atividade imunológica do LES com a busca da complicação trombótica mais provável. Resumo para guardar: lúpus jovem + sintomas sistêmicos + déficit neurológico focal = pense em AVC por síndrome antifosfolípide até prova em contrário.