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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Recém-nascido de parto normal, com 4 horas de vida, apresenta quadro de dificuldade respiratória progressiva. O Rx de tórax, feito no início do quadro, mostra desvio de mediastino, com hipertransparência de hemitórax direito e vasos pulmonares visíveis até a periferia do pulmão. No acompanhamento prénatal, o ultrassom não mostrou nenhuma alteração fetal digna de nota. A tomografia de tórax com 8 horas de vida mostrou piora do desvio de mediastino e insuflação do lobo superior direito, que ocupa grande parte do hemitórax, produzindo compressão e atelectasia dos demais lobos. Diante do apresentado e do fato de ter sido observada piora significativa do quadro e da dificuldade progressiva de ventilação, mesmo com elevação da pressão de admissão, o diagnóstico mais provável é

Gabarito: B

O quadro descreve um recém-nascido com desconforto respiratório nas primeiras horas de vida, associado a desvio de mediastino e hipertransparência unilateral, sugerindo um problema de hiperinsuflação pulmonar, e não uma malformação com massa sólida no tórax. O detalhe-chave da tomografia é a insuflação do lobo superior direito, que cresce, comprime os demais lobos e piora com a ventilação, como se o pulmão estivesse preso em um ciclo de “entra ar, mas não sai direito”. Isso é típico do enfisema lobar congênito, uma causa clássica de dificuldade respiratória precoce no recém-nascido. O mecanismo mais aceito é um defeito da cartilagem brônquica ou obstrução valvar parcial, que permite entrada de ar durante a inspiração e retenção progressiva na expiração, levando a hiperinsuflação do lobo acometido, compressão dos demais e desvio do mediastino. Na prática, o Rx costuma mostrar hipertransparência de um hemitórax ou lobo, com rarefação de marcas vasculares por efeito de hiperinsuflação, mas sem o aspecto de alça intestinal nem sinais de massa congênita sólida. A piora com ventilação positiva também ajuda muito, porque a pressão pode “inflar demais” o lobo doente e agravar a compressão do pulmão saudável. As outras alternativas fogem do padrão: atresia de esôfago com fístula traqueal dá mais distensão abdominal e história de salivação/aspiração; síndrome da cimitarra e sequestro broncopulmonar são malformações vasculares e geralmente não se apresentam assim no início da vida com esse padrão de hiperinsuflação; e a má-formação adenomatoide cística costuma formar lesão cística/massiva, não hiperinsuflação lobar progressiva.

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