Paciente do sexo feminino, 79 anos, com quadro de 3 anos de evolução de dispepsia, refluxo ácido até a boca e dor retroesternal, e, há 6 meses, tem necessidade de elevar a cabeceira de sua cama para dormir. Indique o melhor exame complementar para confirmar a hipótese de doença do refluxo gastro-esofageano e quantificá-la.
- A)Manometria esofageana.
Errada: a manometria avalia motilidade esofagiana e ajuda no estudo funcional, mas não confirma nem quantifica a exposição ácida da DRGE.
- B)PHmetria esofageana.
Certa: a pHmetria esofagiana de 24 horas documenta refluxo ácido e quantifica o tempo de exposição do esôfago ao ácido.
- C)Seriografia esôfago-estômago-duodeno.
Errada: a seriografia pode mostrar alterações anatômicas ou refluxo em alguns casos, mas não é o exame de escolha para confirmar e quantificar DRGE.
- D)Endoscopia digestiva alta.
Errada: a endoscopia pode identificar esofagite e complicações, porém pode ser normal na DRGE e não quantifica o refluxo ácido.
- E)Tomografia computadorizada de abdome.
Errada: tomografia de abdome não é exame indicado para diagnóstico ou quantificação da doença do refluxo gastroesofageano.
Gabarito: B
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) costuma aparecer com sintomas bem clássicos, como azia, regurgitação ácida e dor retroesternal. Em geral, a clínica já levanta forte suspeita, mas quando a prova pede o exame que confirma a doença e ainda quantifica a exposição do esôfago ao ácido, o raciocínio muda de marcha: entra a pHmetria esofagiana de 24 horas. A pHmetria é o método mais tradicional para documentar refluxo patológico, medindo quanto tempo o pH fica abaixo de 4 no esôfago. Isso permite não só confirmar que há refluxo ácido, mas também medir a intensidade do problema, o que é exatamente o que o enunciado pediu. Se voce pensar em “provar e medir”, a pHmetria é a estrela do caso. A endoscopia digestiva alta pode ser muito útil, sobretudo para ver esofagite, estenose ou complicações, mas ela pode vir normal em muitos pacientes com DRGE. Ou seja, ajuda bastante, mas não é o melhor exame para quantificar o refluxo em si. Manometria avalia motilidade e esfíncter, e os exames de imagem têm papel mais limitado para essa finalidade. Então, em uma paciente com sintomas típicos e necessidade de confirmar objetivamente a doença e sua gravidade, a resposta clássica é a pHmetria esofagiana. Em prova de gastro, quando o verbo é “quantificar”, desconfie de tudo que só olha a anatomia e não mede o ácido.